São Jerônimo da Serra Civilizada por padres de companhias européias, São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio) completou ontem 150 anos de fundação do primeiro aldeamento. Parte desta história, de origem indígena, mas invadida por lideranças brancas no começo do século passado, será contada pelo Museu Histórico da cidade, que foi inaugurado ontem graças a um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Durante dois anos, alunos do curso de história da instituição, orientados pelo professor José César dos Reis, diretor do Museu Histórico de Londrina, garimparam mais de 270 peças pela cidade. ''Nosso objetivo é fazer com que o povo desta comunidade se reconheça como agente da história, que tenha sua memória valorizada como objeto de pesquisa. Como que uma cidade do século 19 ainda não tem museu? O que temos aqui tem o mesmo valor de outros espaços'', argumentou o professor.
Habitada pela nação dos caigangues, a aldeia recebeu os primeiros padres italianos e portugueses em 1854, enviados pelo Império para catequizar os povos de origem indígena. São Tomás de Papanduva, numa referência clara à estratégia da igreja católica em fundir a cultura dominada à dominante, foi o primeiro nome de São Jerônimo. ''A primeira fase do povoamento se estendeu até 1920, quando tudo girava em torno do índio. A partir de então, com a emancipação do povoamento, que se tornou cidade, o processo de chegada de famílias de colonos foi mais intenso'', contou Reis.
A composição do acervo contou sobretudo com a colaboração de famílias antigas, descendentes dos primeiros habitantes brancos da região por volta de 1870 que doaram objetos de alto valor histórico. Entre as relíquias compiladas, o museu recebeu um catre, uma espécie de cama de madeira forrada de couro cru, provavelmente de 1910; uma roca de 1920, utilizada na confecção de roupas de lã de carneiro; torradores de café, e objetos de higiene feminina, como jarros e bacias esmaltadas.
Alguns oratórios caseiros também estão entre as principais peças. ''São na verdade minialtares, já que as casas eram de famílias muito católicas. Eles ficavam na sala ou no quarto'', detalhou o professor. O artefato mais antigo, segundo o professor, seria uma bala de canhão do século 19, provavelmente de 1860 ou 1870.
Com apoio da prefeitura, que alugou e reformou uma casa para abrigar o acervo, o Museu Histórico de São Jerônimo já está pronto para receber visitantes. Ele depende, porém, de alguns ajustes. O professor disse que o processo de registro de peças ainda precisa ser melhorado. ''Nossa previsão é concluir o projeto em 2005'', afirmou.
O museu ganhou o caráter de órgão municipal ainda neste ano, mas pretende contar com os benefícios repassados a instituições culturais de alçadas estadual e federal. O próximo passo é se filiar ao Conselho Estadual de Museus.

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