Museu localiza idoso que buscava moedas antigas
O Museu Histórico de Londrina localizou, na tarde de ontem, o aposentado que comunicou, semana passada, aos funcionários de uma construtora que trabalhavam na escavação no centro da cidade, a existência de moedas antigas enterradas naquele local. Trata-se do fotógrafo aposentado Manoel Lopes Damázio, 74 anos, que entre 1952 e 74 foi mecânico da extinta Empresa Elétrica de Londrina S.A. (Eelsa), cujo prédio do escritório geral era exatamente onde hoje está sendo construído o estacionamento de um novo shopping.
A caixinha de alvenaria, encontrada pelos operários, continha nove moedas antigas e restos do que foram edições de jornais da década de 40. As moedas - oito brasileiras e uma paraguaia - foram doadas ao Museu, na última sexta-feira, pelo diretor da Estacenter Parking, Luiz Carlos Adati. Das moedas nacionais, a mais valiosa é a de 500 réis, de 1928. As outras são todas de cruzeiro e da década de 40, sendo a mais recente de 1946. Estamos felizes por saber que o responsável pela descoberta desta parte da história de Londrina é o senhor Manoel, que conhecemos há muitos anos e já é antigo colaborador de nosso museu, afirma a diretora Conceição Duarte Geraldo.
Manoel Damázio conta que passou pelas obras de escavação, há cerca de duas semanas, e alertou os operários de que eles encontrariam a caixinha de alvenaria com objetos antigos dentro. Não fui eu quem colocou o material e as moedas lá, não. Eu apenas sabia da história e me lembrei dela ao ver as máquinas abrindo o buraco. Pena que os jornais e outros papéis foram destruídos e não podem ser aproveitados pelo museu.
O fotógrafo aposentado, nascido em Mossoró (RN), explica que ficou sabendo da caixa com moedas quando era mecânico da Eelsa. Cheguei em Londrina e comecei a trabalhar na empresa elétrica em 52. Alguns anos depois, um outro funcionário da Eelsa que morava comigo, o Luiz Moraska, me contou que era costume da época enterrar, como se fosse a pedra fundamental, uma caixinha com moedas, jornais e bilhetes embaixo dos prédios que começavam a ser construídos.
O prédio da Eelsa teve ter sido construído em 46, exatamente o ano de fabricação da moeda mais recente encontrada na caixinha, afirma Manoel Damázio. Ele garante que esta espécie de cápsula do tempo era bastante comum nas décadas de 40 e 50, e que as caixinhas históricas estão presentes no subsolo de muitos prédios londrinenses construídos naquela época. O problema é que, para descobri-las, temos que derrubar os prédios, que são parte mais importante da nossa história do que as moedas.Dorico da SilvaCápsula do tempoManoel Lopes: Era comum enterrar as caixinhas históricasOsmani Costa





