Museu Histórico recebe projetos da Ferrovia São Paulo-Paraná
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domingo, 17 de abril de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Ourinhos - O Museu Histórico de Londrina recebeu mais de uma centena de documentos sobre a Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, entre os quais os projetos das pontes, sistemas de drenagem, normas de construção, índices de chuvas etc. O traçado da ferrovia entre Cambará e Jatahy (atual Jataizinho) e de Jatahy à Serra da Apucarana, obedecendo a levantamentos entre outubro de 1928 e janeiro de 1932, estão em duas plantas, desenhadas com duas cores, assinadas pelo engenheiro-chefe dos Estudos e Construção de Macdonald, Gibbs & Co. (Engineers) Ltd., London, que assumiram a construção.
Distingue-se, na planta nº 2 (Jatahy-Serra da Apucarana), o limite da área pertencente à Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) a partir do Ribeirão Limoeiro, o Patrimônio Três Bocas e o primeiro hotel, entre os quilômetros 207 e 210, na futura cidade de Londrina.
Não se tem notícia de outras cópias desse material gráfico, recolhido por Jairo Teixeira Diniz, ex-funcionário da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná em Ourinhos, que manifestara o interesse em doá-lo ao Museu já no final de 2006, quando a FOLHA fez reportagem a respeito.
Aos 90 anos de idade, mas com a memória privilegiada, Jairo recebeu em sua casa, na semana passada, Rosângela Haddad, Célia Rodrigues e Rui Cabral, do Museu, que foram entrevistá-lo e formalizar o recebimento do material, que ele havia salvado por acaso em 2005. Então, um marceneiro lhe telefonou informando que recebera um móvel para ser modificado, cujo conteúdo se relacionava à ferrovia. Depois souberam que um empresário havia comprado o móvel num almoxarifado abandonado pela da Rede Viação Paraná-Santa Catarina (que absorvera a SP-PR em 1945) e não sabia do conteúdo.
Na entrevista, Jairo relatou fatos desde a sua admissão na Paraná-São Paulo, em 1936, quando passou a conviver com o engenheiro-chefe, James Lister Adamson, que era o único inglês; e o superintendente, Wallace Hepburn Morton, escocês. ''Outros tinham jeito de inglês, falavam inglês, mas eram de outras nacionalidades: Herrington Smyth (secretário do superintendente), uruguaio; e Alastair Tarrel Munro (chefe de locomoção e traçado), paraguaio'', lembra, contando que Adamson tocava banjo, fato que foi descoberto quando o inglês perguntou o nome de uma marchinha de carnaval incluindo o verso ''minha terra tem palmeiras''.
Na ''Vila dos Ingleses'' em Ourinhos, a casa em que Adamson morou mantém a originalidade.
Informado de que o Museu Histórico de Londrina ocupa o prédio que foi da estação ferroviária, Jairo disse ter presenciado a sua inauguração, em 1950, quando já exercia o cargo de secretário da 9 Residência de Via Pemanente da RVPRSC e acompanhava o engenheiro residente, Oscar Dynabowicz.
Nascido em Santos (SP), Jairo Teixeira Diniz tinha 13 anos no começo da década de 30, quando chegou a Presidente Prudente com a família e foi trabalhar de auxiliar em farmácia. O pai, Jonas Diniz, formado pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Ouro Preto (MG), exercia a profissão de dentista. A família mudou-se para Ourinhos, em 1935, e ele continuou em farmácia, até ingressar na Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, no dia 2 de maio de 1936, a convite de Antônio Lopes, chefe de um dos setores na administração.
Em 1948, sem deixar de ser ferroviário, Jairo foi o primeiro locutor de rádio em Ourinhos, inaugurando a ZYA-3 Difusora, com o pseudônimo Norton Cunha. É de sua autoria a mensagem de louvor ao jaracatiá (árvore-símbolo de Ourinhos), escrita em placa de bronze que o poder público colocou na praça central da cidade em 21 de setembro de 2001.


