Museu facilita processo de aposentadoria
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Osmani Costa 
Nem só de antigos quadros, aparelhos, fotografias, equipamentos e roupas se faz um completo museu. O Museu Histórico Padre Carlos Weiss, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), presta uma série de importantes serviços à população da cidade e região. Desde 1992, a secretaria do museu oferece gratuitamente documentos da maior valia às pessoas que estão em processo de aposentadoria por tempo de trabalho junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
Josoé de CarvalhoO tempo de serviço de cada trabalhador pode ser confirmado através de cópia autenticada das antigas folhas de votações dele, que foram repassadas pelos Cartórios Eleitorais de Londrina e encontram-se catalogados no museu da UEL desde 1986. Nas 160.068 folhas de votações - documentos que foram substituídos pela Justiça Eleitoral a partir da informatização - encontram-se dados como o local e data de nascimento, nome dos pais, o endereço residencial, uma foto, e a profissão do eleitor.
Este último dado é o mais importante para quem está pleiteando a aposentadoria junto ao INSS. Ele serve como comprovação oficial do tempo de trabalho de cada pessoa. Toda esta documentação - registrada em 56 livros e estocados em 442 caixas de arquivo - seria incinerada em 86, a exemplo do que ocorreu no País inteiro, por determinação do Supremo Tribunal Eleitoral. A direção do Museu Histórico não se conformou com este fim, solicitou e recebeu como doação os livros e folhas de votação.
Anualmente, cerca de 500 pessoas procuram a secretaria do museu em busca destes documentos. Mais de 300 conseguem encontrá-los e usá-los nos processos de aposentadorias. São, na grande maioria, ex-lavradores que trabalharam nas plantações de café no início da colonização de Londrina. As pessoas vêm de muitas cidades e diversos estados brasileiros, notadamente do interior de São Paulo. Recentemente, atendemos um ex-trabalhador rural da cidade que se tornou funcionário do Banco Central em Brasília, conta a diretora do museu, Conceição Duarte Geraldo.
Até um ex-funcionário de um dos cartórios eleitorais de Londrina conseguiu se aposentar, há pouco tempo, provando através de exame grafotécnico nos livros de registros dos títulos os anos de trabalho prestado e não registrado em carteira profissional. São documentos da maior importância para pesquisas sobre a história da população londrinense, porque deles constam a origem, a idade, sexo, filiação paterna, profissão e outros dados de cada eleitor, comenta a diretora do Museu Histórico.
No entanto, por falta de espaço adequado, em breve o museu pretende se desfazer das 442 caixas com as 160.068 folhas de votação; mantendo no acervo apenas os 57 livros de registros dos títulos. É uma pena, mas teremos que repassar este material a outra instituição ou entidade de pesquisa que queira guardá-lo. Aqui, o peso das caixas que ocupam duas estantes inteiras está comprometendo o piso de madeira do segundo andar, único local que temos para abrigá-las, explica Conceição Geraldo.
Para não perder a memória desta importante documentação, todas as folhas de votações estão sendo microfilmadas, frente e verso, na Divisão de Sistemas de Micrográficos do Núcleo de Processamento de Dados da UEL. A chefe da divisão, Elizabeth Leão de Carvalho, conta que a microfilmagem - em películas de 16 milímetros - teve início no ano passado e só será completado em 99, quando terá consumido 130 filmes com exatas 320.136 poses.
Cada microfilme realizado é devolvido ao arquivo do museu pelo NPD da UEL, que mantém no entanto uma cópia de segurança para futuras reproduções e consultas. O trabalho de organização e catalogação dos documentos anterior à microfilmagem, coordenado no museu pela bibliotecária Rosangela Ricieri Hadad, é demorado e meticuloso. Toma muito tempo, requer técnica e paciência. Mas nossa equipe está feliz por poder ajudar tantas pessoas, principalmente porque elas são na maioria humildes e trabalharam duro durante anos, construindo a história da cidade.
Ontem à tarde, a Câmara de Vereadores encaminhou ao museu 40 rolos de filmes especiais doados para a microfilmagem.Mario CesarHistóriaA bibliotecária Rosangela Ricieri Hadad (abaixo) coordena o trabalho de microfilmagem dos documentos: demorado e meticuloso. Acima, o vendedor que conseguiu junto ao museu resgatar documentação: eficiênciaDocumentos de cartórios eleitorais catalogados pelo museu confirmam tempo de serviço e profissão de trabalhadores


