Curitiba - Se alguém lhe perguntasse onde é possível ver uma múmia em Curitiba, o que você diria? A resposta estaria relacionada a alguma exposição sobre o Egito ou apresentação de qualquer arqueólogo? Longe disso. Na Capital, a possibilidade de ver uma múmia está no museu do Instituto Médico Legal (IML), aberto ao público, todos os dias.
O museu pode deixar qualquer um boquiaberto, assustado ou cada vez mais curioso sobre a vida ou sobre a morte.
Nada menos do que 3.200 pessoas, entre policiais, médicos, estudantes de medicina, direito, entre outras profissões e curiosos, passaram no ano passado pelo museu para ver desde corpos mumificados, fetos e pessoas mortas por doenças, acidentes e crimes dos mais variados.
Outro item exposto é um altar onde ocorreu um homicídio em que magia negra estaria envolvida, além de um assassino morto há 34 anos, conhecido, no final da década de 1970, como ''Paraibinha''.
O museu, com o objetivo principal de auxiliar estudantes, tem até curador. Joel Camargo está há 29 anos no IML e há sete cuida do museu. Mesmo com esse tempo todo no Instituto, Camargo ainda se assusta com determinados crimes. ''Choca muito ver crianças violentadas'', afirma.
Segundo Camargo, todo material exposto no museu tem autorização judicial. ''São pessoas não identificadas e tudo tem ordem da Justiça. As fotos que estão aqui acompanham inquéritos e é proibido tirar fotos ou gravar qualquer coisa aqui dentro que possa identificar alguém'', alertou.
As histórias contadas por Camargo sobre cada material exposto têm certas peculiaridades. É o caso do relato sobre o assassino ''Paraibinha''. O rapaz era morador de Campo Largo, na região metropolitana, procurado pela polícia por matar pessoas com golpes de foice, em 1977. Segundo Camargo, a polícia o encontrou logo, mas morto, no dia 11 de setembro daquele ano. Causa da morte? O próprio IML constatou: golpes de foice. ''Ele havia matado várias pessoas, acabaram pegando-o e matando do mesmo jeito'', contou o curador.
As histórias de Camargo não param com ''Paraibinha''. Há ainda outra múmia que leva o apelido de um famoso ator de novelas. Está exposto ainda um crânio com um prego cravado, que desperta a curiosidade. ''É um homem que passava por tratamento psiquiátrico e martelou em si mesmo o prego. Mas ele não morreu disso. Morreu de meningite'', explicou Camargo.
Mas os enredos de Camargo não passam apenas por mortes incomuns. Há ainda uma estante com objetos de usuários de drogas, como cachimbos, além de partes de corpos humanos, que foram vítimas de doenças.
Dos livros à realidade
''Penso em trabalhar com medicina-legal. Tudo aqui me chama atenção. A gente aprende a ter estômago. Por mais que estude, nos livros é diferente.'', comentou a estudante de medicina da cidade de Cacoal, Rondônia, que visitava o IML em Curitiba, Graziele Inácio, 27 anos.
Basta um pouco de estômago, como disse a estudante, e tempo livre para visitar o museu, que fica na Avenida Visconde de Guarapuava, 2.652. Visitas podem ser agendadas pelo telefone (41) 3281 5630.

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