Museu de Fênix recebe mapas históricos
Sid Sauer
De Fênix
Dois mapas históricos um de 1783 e outro de 1896 serão entregues oficialmente hoje de manhã ao museu do Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix (63 km a nordeste de Campo Mourão). Os dois mapas estavam no Rio de Janeiro e foram doados pelo advogado José Candido Muricy Neto, 65 anos. A entrega dos mapas fará parte da solenidade de largada do 3º Rali Fluvial Vila Rica do Espírito Santo, no Rio Ivaí (leia texto abaixo).
Em comum, os dois mapas que serão repassados hoje ao museu têm a citação de Vila Rica, uma cidade formada pelos jesuítas no século 16, entre os rios Ivaí e Corumbataí, a cerca de 7 quilômetros de onde hoje fica a cidade de Fênix. O mapa de 1896 Planta da viagem ao paiz dos jesuitas foi feito pelo avô de Muricy Neto, o general de exército José Candido Muricy, que comandou uma expedição na região naquele ano.
A viagem de Muricy às ruínas de Vila Rica, mais de 60 anos antes da fundação de Fênix, também rendeu um livro de 400 páginas: Viagem ao País dos Jesuítas, que só foi publicado em 1975. O outro mapa, de 1783, é francês, feito por Parle S. Robert de Vaugondy, e mostra a América Meridional, com citação à Villarica ruinée. Ele foi adquirido, provavelmente no Rio de Janeiro, entre 1942 e 1943 por um filho de Muricy, José Candido Muricy Filho.
Meu pai se interessou pelo mapa porque ele era muito antigo e já indicava a existência de Vila Rica do Espírito Santo, que tinha sido visitada pelo meu avô no final do século passado, conta Muricy Neto. Apesar de morar no Rio de Janeiro, Muricy Neto passa boa parte do ano em Fênix, onde a família tem uma fazenda. A área foi adquirida em 1950 pelo pai dele, um coronel da Aeronáutica que se atraiu pelo local devido à proximidade com a antiga Vila Rica.
Muricy Neto conta que o avô dele participou da expedição a Vila Rica motivado pelo aspecto histórico ele era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e também atraído pela lenda de um tesouro que poderia existir nas reduções jesuíticas. A lenda dizia que os jesuítas mantinham a imagem em ouro dos 12 apóstolos de Cristo em tamanho natural. A lenda nunca foi confirmada, mas a história de Vila Rica nunca mais saiu da família.
Enquanto não vão para o museu, os mapas estão no cartório da cidade. Foi o cartorário Rubens Vasconcelos Calixto, outro apaixonado pela história de Vila Rica, que intermediou a doação dos mapas para o museu do Parque Estadual. Ontem, o prefeito de Fênix, Eurípedes Molina Tasca (PFL), esteve no cartório para conhecer os mapas que vai receber hoje, durante a largada no Rali Fluvial, na ponte sobre o Rio Corumbataí, na divisa com São João do Ivaí.





