Museu de Arte será entregue em dezembro
Prédio histórico passa por revitalização desde junho; inicialmente, obra seria concluída em novembro
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Prédio histórico passa por revitalização desde junho; inicialmente, obra seria concluída em novembro
Laís Taine - Grupo Folha 
As obras de revitalização do Museu de Arte de Londrina chegam à fase final, com previsão de entrega para 23 de dezembro. Com início em junho deste ano, a proposta era de que toda a reforma fosse executada em cinco meses, mas foi necessário o aditivo de tempo, prorrogando a entrega em um mês. Durante esse período, o prédio permanece fechado e o acervo protegido na Biblioteca Pública Municipal. A perspectiva é de que o museu volte às atividades a partir de março de 2020.

“Estamos resolvendo questões de infiltrações do prédio, recuperação das esquadrias, impermeabilização dos arcos onde ficavam as plataformas, estão sendo atendidas as questões de acessibilidade, recuperação dos brises, troca de vidros por mais escurecidos, mas mantendo a transparência, respeitando as características do prédio, tudo com orientação e anuência do setor de Patrimônio Estadual”, afirma o secretário municipal de Cultura, Caio Cesaro.
TOMBADO EM 1974
O secretário explica que todo o trabalho foi realizado a partir de projeto de recuperação do Museu de 2011, que tem a aprovação do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. Isso porque o prédio foi construído em 1952, projetado pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi para receber a quarta rodoviária da cidade. A construção o elevou ao primeiro prédio da arquitetura moderna do Estado, tombado em 1974.
Em 1988, o Terminal Rodoviário foi desativado e passou por uma reestruturação para abrigar o Museu de Arte em Londrina, inaugurado em 1993. “Quando ele foi adaptado para museu teve um trabalho importante. O que a gente tem de informação é que há cerca de 20 anos o prédio não passa por intervenção tão significativa. Houve trabalho de manutenção essencial, mas uma recuperação nesse nível não”, informa o secretário. Para esta obra foi investido R$ 1.250 milhão em recursos da prefeitura.

Com a entrega das obras, a perspectiva é que se leve de 40 a 60 dias para que todo o mobiliário e o acervo sejam realocados de forma segura e o Museu reaberto ao público a partir de março de 2020.
MAIS DE 600 OBRAS
O Museu de Arte de Londrina possui um acervo de 626 obras de 213 artistas. A diretora de ação cultural da SMC (Secretaria Municipal de Cultura), Maria Luísa Alves Fontenelle, não quis cometer injustiça e cita vários nomes igualmente importantes que são referência dentro e fora da cidade.
Paulo Menten é um deles. O artista que viveu em Londrina tem 110 das 311 gravuras do museu. Outros vários criaram sua marca e ficaram registrados: Agenor Evangelista, José Gonçalves, Cláudio da Costa, Henrique de Aragão, Angela Parra só para citar alguns. “Nós temos um acervo bastante significativo de obras da nossa cidade e região”, aponta.
Doações de artistas de fora também completam a coleção, como Cláudio Tozzi, Waldomiro de Deus e Ciro Franco. O museu expõe as obras de acervo próprio em dois períodos do ano e conta com exposições temporárias, oficinas, cursos e eventos no calendário anual.
A maior parte do público é formada por estudantes do ensino público e de universitários. “Precisamos falar do museu não só quanto espaço expositivo, mas como marco da arquitetura, por isso ele recebe alunos de pós-graduação e pesquisadores do interior de São Paulo e até de escolas do ensino médio de outras cidades”, menciona.
Neste ponto, a diretora ressalta que eventos externos podem impactar no número de visitantes no museu, como paralisações das atividades escolares, decorrentes de greves e Copa do Mundo. Em 2018, o Museu bateu o maior número de visitas em cinco anos, com 18.779 pessoas no local. Houve registros de visitantes de Paranavaí, Faxinal, Umuarama, Cambé, Bela Vista do Paraíso, Palmital e Jaboti, no Paraná, e de Assis e Presidente Prudente, de São Paulo.
REFERÊNCIA ARQUITETÔNICA
O Museu de Arte de Londrina é um importante espaço cultural pelas exposições que expressam o olhar de grandes de artistas de dentro e fora da cidade. Não bastasse isso, o prédio é uma referência arquitetônica de Londrina, registrado como primeiro prédio modernista do Paraná pelo Patrimônio do Estado. Aos londrinenses, ele é uma construção da memória.

“Pela sua funcionalidade, que foi a Estação Rodoviária. O prédio carrega memória afetiva muito importante para os londrinenses. Pessoas que têm histórias como a rodoviária ou a de seus pais e avós, muitos chegaram por essa rodoviária e muita gente por ela partiu”, comenta Caio Cesaro, secretário municipal de Cultura.
O prédio que fica no coração do centro histórico de Londrina, fica entre a grande movimentação e circulação de pessoas na rua Sergipe. Com praça Rocha Pombo e Museu Histórico de Londrina, registra a história da cidade nos tijolos. “É um encontro de grande satisfação para os artistas que expõem suas obras, porque reconhecem a relevância do prédio e quanto ele é importante para a cidade”, comenta.


