O aposentado M. Melo é exemplo de disposição. Aos 91 anos, caminha todos os dias, enquanto leva sua cachorrinha para passear, e três vezes por semana frequenta a academia. Esteira, bicicleta e musculação fazem parte da rotina do santista que trocou o remo das praias do litoral paulista pela tranquilidade das salas de ginástica de uma academia no Centro de Rolândia.
''Nasci em Santos e sempre tive uma vida muito ativa. Praia, mar e remo eram essenciais'', relembra o aposentado que recomeçou a fazer exercícios físicos há quatro anos, sob recomendações médicas. ''Faço academia por necessidade, por imposição médica, senão vou parar numa cadeira de rodas'', diz Melo, ressaltando que agora está ''tomando gosto pela coisa''.
''Estou colhendo resultados muito bons. Antes era vacilante, hoje tomo decisões com mais vontade. Recuperei a movimentação nas pernas que eu não tinha, desapareceram as dores, o cansaço e a falta de ar'', contabiliza o aposentado, que intercala exercícios para os membros inferiores e superiores com caminhadas e pedaladas três vezes por semana. ''Se eu te disser que com a minha idade nunca tive uma dor de cabeça, nem diabetes ou colesterol. Sou mesmo um privilegiado'', comemora.
Nos mesmos passos de Melo, o casal Helena Almendros de Oliveira, 65, e José Gomes de Oliveira, 72, decidiu manter a forma física por meio da musculação. Eles são voluntários de um projeto elaborado por alunos do curso de mestrado em Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que estão pesquisando os efeitos do treinamento com pesos e alongamento em indivíduos com mais de 60 anos.
No ano passado, Helena e José realizaram sessões semanais de musculação em uma academia de Londrina. O projeto piloto envolveu outros 12 idosos, que continuarão participando das pesquisas este ano.
Segundo a estudante Aline Mendes Gerage, os treinamentos terão início em março, com cerca de 60 idosos. Ao todo, seis estudantes irão acompanhar o desempenho dos aposentados em grupos aleatórios de musculação e alongamento. Ao final da pesquisa, cada mestrando irá analisar uma variável específica, como a influência do treino com peso sobre a força muscular, pressão arterial, composição corporal e capacidade funcional. O projeto terá duração de 30 semanas. Cada idoso receberá tratamento individualizado durante o treinamento.
Realizado por Aline Gerage e pelos colegas Matheus Amarante do Nascimento, Renata Borges Januário, Fábio Cheche Pina, Humberto Pianca e Raymundo Pires, o projeto de mestrado é coordenado pelos professores Arli Ramos de Oliveira e Edilson Serpeloni Cyrino, da UEL. Os aparelhos para os exercícios são oferecidos em parceria por uma academia do Centro e alguns exames físicos são realizados no laboratório da universidade. ''Estamos buscando patrocínio de laboratórios particulares para fazer os exames sanguíneos, de densitometria óssea e tomografias'', assinala Aline.
''Resolvemos estudar este assunto porque estudos em periódicos científicos internacionais indicaram a melhora na força muscular, redução da pressão arterial, aumento de massa muscular, diminuição de gordura em idosos que praticam musculação regularmente. O exercício até ajuda nas atividades diárias como subir e descer escadas e cuidados domésticos'', relata a estudante.
Helena de Oliveira que o diga. Ela já participava das aulas de alongamento oferecidas pela Universidade da Terceira Idade e resolveu incentivar o marido, José, que era sedentário. ''Foi muito bom. A gente se diverte fazendo exercício. A minha disposição melhorou bastante e a do meu marido também. Ele gostou muito'', confessa a dona-de-casa, que pretende continuar se exercitando sempre.

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