Os muros do Cemitério São Pedro, em frente à Rua Professor João Cândido, área central de Londrina, ficaram com um colorido especial. Dezesseis crianças do projeto Irmão Caçula, desenvolvido no Jardim União da Vitória (zona sul), transformaram o branco tradicional em painéis alegres e coloridos. Eram anjos, barcos, árvores, mãos gigantes, tudo disposto entre o amarelo, o vermelho, o azul, o marrom e o laranja. Num dos painéis, a criança assinalou: ‘‘Pela vida, pela paz, drogas nunca mais’’.
O projeto, batizado pelas próprias crianças de ‘‘Pensando no Amanh㒒, é fruto de uma parceria entre o Irmão Caçula, Oficina de Arte Contemporânea e Secretaria Municipal de Cultura. ‘‘A nossa intenção é mostrar para as crianças que elas são capazes de produzir as coisas, se tornar cidadãos’’, aponta Eloísa Helena Agostinho, uma das orientadoras do Irmão Caçula. Ângela Diana, artista plástica e integrante da Oficina de Arte, acrescenta que o trabalho é importante também para resgatar a tradição do mural, mostrando coisas que fazem parte do dia-a-dia de cada morador da cidade, como árvores, móveis e até computadores.
‘‘É legal porque o pessoal que passa na rua vê o nosso trabalho’’, diz Gedeão Jorge, 15 anos, três deles no Irmão Caçula. Antes do projeto, ele conta, a vida dele era passar o dia na rua, sem fazer nada. Depois, começou a descobrir novas coisas. ‘‘Já aprendi a pintar, bordar, fazer tapete. Aprendi também a ser cidadão. Ser cidadão, para mim, é ter respeito pelas outras pessoas’’, ensina o garoto. É a primeira vez que ele participa de uma exposição na rua e está animado com o trabalho.
Também estreante em exposições, Adriana Fátima dos Santos, 11 anos, disse que estava feliz em poder mostrar o que aprendeu na oficina para as pessoas que passam na rua. ‘‘É muito legal’’, define ela, que está há um ano no projeto. Paulo Henrique Kenâncio dos Santos, 12 anos, concorda. ‘‘É um dia diferente e está sendo muito divertido, estou aprendendo muita coisa.
Angela Marçal, secretária de Cultura, diz que a idéia é que o projeto seja realizado todo ano. ‘‘Já temos o espaço do outro lado (na Rua Rio de Janeiro) e sempre pensamos em usar as crianças do projeto. Isso é bom para valorizar o lado artístico das crianças.’Dorico da SilvaOutro astralDezesseis crianças participaram do projeto ‘Pensando no amanhã’Lúcio Horta

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