Municípios vivem mesmo problema e pensam em novas soluções
Outros municípios do Estado, com problemas praticamente idênticos aos de Londrina, também reavaliam as soluções para o transporte coletivo. Em Ponta Grossa, um novo processo de licitação está em andamento e prevê a separação do serviço em lotes o que quebrou o monopólio existente no setor. Já Maringá vive uma situação semelhante a de Londrina.
No mês passado, o prefeito José Cláudio Pereira Neto (PT), aprovou um decreto que rompe o contrato de concessão com a empresa Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC). A TCCC, cujo contrato antigo previa a exploração do serviço por mais 15 anos, recorreu à Justiça. Até definição judicial sobre o caso, os trâmites da nova licitação estão suspensos. Um estudo também foi encomendado para fazer avaliar problemas e soluções para o transporte local.
Uma das possibilidades levantadas nas discussões municipais é a forma de gerenciamento do transporte coletivo. Na maior parte do Estado caso de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu é adotado o sistema de tarifagem, ou seja, as empresas prestam o serviço e são remuneradas diretamento pelo usuários. Na capital e Cascavel, o poder público repassa às empresas o valor das tarifas de acordo com os quilômetros rodados.
Para o diretor administrativo da Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego órgão que gerencia o setor , José Peixoto da Silva, a principal vantagem do sistema de quilometragem é controlar melhor o setor. ''Você controla o lucro das empresas e tem maior poder de decisão na qualidade do serviço, assim, você pode manter linhas deficitárias que seriam abandonadas pelas empresas'', exemplifica.
Cerca de 75 mil usuários usam o serviço diariamente em Cascavel. Duas empresas são concessionárias das linhas e a tarifa custa R$ 1,50 que com Foz do Iguaçu é a segunda mais cara do Estado. Ambos os municípios, contudo, já passaram por revisão de tarifa neste ano.
Em Maringá, segundo o secretário de Transportes, Renato Bariani, a mudança de sistema é praticamente certa. ''Vamos esperar o diagnóstico, mas no entendimento desta gestão, quando o poder público interfere diretamente é mais fácil resolver problemas'', argumenta. O secretário adianta, no entanto, que a melhoria do serviço, assim como no outro sistema, continua dependendo do fator tarifa. ''Nesse caso, no entanto, a prefeitura pode instaurar fóruns de debate para a população decidir'', comenta, referindo-se a opção qualidade de serviço ou preço.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), Wilson Sella, afirma que a possibilidade mudar o gerenciamento do transporte não está descartada apesar dele ter reservas sobre o sistema. ''A empresa fica com toda a garantia e os investimentos da tarifa e não tem o ônus da produtividade'', afirma. Para ele, o modelo prejudica a parceria entre poder público e setor privado. ''Isso me lembra o problema do lixo por tonelagem, quando as empresas ganhavam por peso'', relembra.





