Paulo Eduardo PinheiroAcompanhamentoMédico Walter Dias Bueno assiste mães e bebês na Maternidade São João Batista, em Ibaiti, que em 1994 chegou a ser comparado com cidades mais pobres do Nordeste brasileiro, onde são registrados índices de até 80% de mortalidade em cada mil nascidos vivos A 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho vai implantar a partir deste mês comitês municipais e regionais para pesquisa de mortalidade infantil. O índice de mortalidade de crianças com menos de um ano no Norte Pioneiro (40,88 a cada mil nascidos vivos) é alto em relação ao Estado (28,27 para cada mil).
A chefe do Departamento Epidemiológico da 19ª Regional, Rosa Lúcia Vita Almeida, diz que houve um decréscimo significativo do índice nos últimos 10 anos, mas ainda existem municípios com índices equivalentes a cidades carentes do Nordeste brasileiro.
O município do Norte Pioneiro com o pior índice é Ibaiti (94 km de Jacarezinho). Já o município de Barra do Jacaré (47 km a oeste de Jacarezinho) não divulgou informações para o cálculo do índice local na época em que a pesquisa foi realizada.

Paulo Eduardo PinheiroAprendizado forçadoSomente em um dia em que ficou no hospital ao dar à luz ao seu primeiro filho, Ana Maria da Silva diz aprendeu ‘‘coisas importantes’’ASSISTÊNCIA ÀEm 1986, a média de mortalidade infantil era de 61,67 para cada mil nascidos vivos. ‘‘A região ainda é considerada o ‘ramal da fome’ e grande parte dos óbitos são doenças parasitárias por falta de higiene ou cuidados da mãe’’, explica Rosa Almeida.
Segundo ela, o comitê de pesquisa será formado com multiprofissionais para que todos os registros de óbito infantil sejam investigados. ‘‘Pretendemos descobrir onde estão as maiores falhas, se no hospital, se com os médicos responsáveis ou pela própria situação sócio-econômica da pessoa’’, diz.
Na região, já existe um comitê de pesquisa de morte materna, que avalia óbitos de mulheres entre 11 e 49 anos. Para Rosa Almeida só uma conscientização em massa sobre cuidados na gestação poderá mudar o quadro da região. ‘‘Destacamos a necessidade de acompanhamento médico durante a gravidez, com realização de exames básicos como tipo sanguíneo, urina, hemograma, pesquisa de toxoplasmose, rubéola, AIDS etc’’, esclarece.
Rosa Almeida diz que 47% das causas da mortalidade infantil estão no período perinatal (pouco antes ou pouco depois do parto, que envolve prematuridade, desnutrição e problemas dentro do útero). O restante está dividido entre doenças respiratórias, parasitárias, anomalias e causas indefinidas.
A 19ª regional deverá implantar ainda programas como Saúde da Família, Agentes Comunitários e a busca ativa da população de risco, através de visitas domiciliares. ‘‘Isso vai colaborar para que esses índices baixem ainda mais.’’ Ele ressalta ainda que a educação em saúde e puericultura, aleitamento materno, cuidados de higiene e vacinação básica são grandes colaboradores da saúde infantil. ‘‘Mas o quadro geral da saúde regional, só pode reverter mesmo diante de empenho político’’, acredita.

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