Edson MazzettoTerras afetadasValmor Lemainski, presidente da Caciopar, mostra mapa da região do reservatório de Salto CaxiasA Coordenadoria das Associações Comerciais do Oeste do Paraná (Caciopar) está reivindicando compensação econômica para os municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná que terão áreas alagadas pelas águas da Usina de Salto Caxias. A entidade alega desativação ou redução dos negócios em consequência da queda do contingente populacional nas localidades situadas na faixa do rio Iguaçu que serão atingidas. A reivindicação está sendo apresentada à Copel.
Segundo Valmor Lemainski, presidente da Caciopar, obras de grande porte como a de uma usina hidrelétrica resulta em impacto social e ‘‘desacomodação e inquietação’’ nas áreas diretamente atingidas pelo reservatório e nas áreas urbanas. A consequência, acrescenta, é a perda de receita pelo comércio, indústria e serviços. Lemainski diz que a Caciopar tem recebido constantes solicitações para que interceda junto a Copel pedindo uma alternativa de compensação.
‘‘A companhia tem demonstrado conduta exemplar e digna de elogios no tratamento que dispensa aos agricultores que terão terras alagadas e que já começam a ser reassentados em outros municípios’’, observa Lemainski. Ele saliente, porém, que também há necessidade de estimular as atividades produtivas urbanas, para que as cidades não sofram os impactos econômicos representados por número menor de pessoas alimentando o comércio e outros setores.
A Caciopar e as associações classistas da região se dispõem a participar de discussões com a Copel para a busca de alternativas. Em Boa Vista da Aparecida, o presidente da associação (Aciba), Ary da Silva Filho, relata que o comércio perderá uma clientela de cerca de 1,8 mil pessoas. O município tem cerca de 10 mil habitantes. Operários da usina, que fixaram residência temporária na cidade, não compensariam a perda de população.
‘‘No início da obra, a Copel acenava com um quadro de grande desenvolvimento para a região, com incentivos que até agora não apareceram’’, comenta Ary da Silva Filho. Em Nova Prata do Iguaçu (10,5 mil habitantes), onde está uma das pontas da barragem, o presidente da Acinpi, Ruidemar Somavila, afirma que a diminuição da população tem ocasionado queda significativa no volume de investimentos no setor produtivo.
A Usina de Salto Caxias deve entrar em operação no final do ano que vem e os alagamentos ocorrerão ainda nos municípios de Capitão Leônidas Marques, onde está o outro extremo da barragem; Boa Esperança do Iguaçu, Cruzeiro do Iguaçu, Três Barras do Paraná, Quedas do Iguaçu, São Jorge do Oeste e Salto do Lontra. O reservatório terá 141 quilômetros quadrados, com águas represadas em uma barragem de 1.083 metros de comprimento. A usina, que custará US$ 1,1 bilhão, terá potência instalada de 1.24 mil megawatts/hora.
Os alagamentos atingirão parcial ou inteiramente cerca de 4,3 mil alqueires de terras em mil propriedades, afetando direta ou indiretamente cerca de seis mil pessoas. Estima-se que cerca de 3,5 mil pessoas deixarão as margens do rio Iguaçu. A Copel fará o reassentamento em cerca de 7 mil hectares de terras que adquiriu e está pagando em dinheiro para proprietários que preferem esta opção.

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