Municípios menores têm poucos recursos
Curitiba - Enquanto Curitiba reclama do excesso de pacientes encaminhados para os centros de saúde da Capital, municípios pequenos sofrem com a falta de verbas. "Há uma pressão dos pacientes para procurar atendimento fora do município", conta o secretário de Saúde de Telêmaco Borba, Ricardo Arcanjo. Segundo Arcanjo, o município consegue cobrir os custos de transporte, mas não paga gastos com a alimentação dos pacientes e acompanhantes.
Uma das dificuldades dos pequenos municípios é a falta de profissionais. "Temos um cardiologista, mas em geral é complicado de contratar especialistas", reclama. "Acho desnecessário que cidades pequenas invistam em tratamentos especializados. O importante é que esses municípios tenham atendimento básico de altíssima qualidade", defende Ana Luiza Gondim, diretora da Central de Assistência a Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba.
O secretário de Saúde de Maringá e presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Conesems), Antônio Nardi, defende uma repactuação entre os municípios do Estado. "Com uma nova pactuação poderão ser previstos mais recursos para municípios como Maringá e Londrina, que podem fazer o atendimento de média e alta complexidade", explica. Segundo Nardi, atualmente 40% dos usuários da rede de atendimento público de saúde de Maringá são de outros municípios.
"O pequeno município tem que concentrar a sua atuação na melhora da precisão do diagnóstico e da rapidez no encaminhamento do paciente para um centro especializado", defende. "Quanto mais o doente demora para chegar em Curitiba, Maringá, Londrina, mais difícil é o tratamento e menores são as chances de cura", afirma.
Nardi, no entanto, destaca que houve uma evolução significativa no sistema nos últimos anos. "Há uma melhor preparação dos médicos e demais profissionais da saúde", avalia. Segundo ele, é necessário que as escolas de Medicina preparem profissionais com perfil para atender pacientes do SUS. "É um problema complexo, mas houve muitos avanços nos últimos cinco anos", completa. (R.C.F.)





