Municípios lutam contra epidemia de dengue
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
No último levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, no início da semana, mais quatro municípios entraram na lista dos que enfrentam epidemia de dengue: Alto Piquiri, Perobal, Santo Antônio do Caiuá e Paranacity, todos na região Noroeste. Assim, o Paraná passou a ter 32 cidades nesta situação. A reportagem conversou com integrantes do poder público dos quatro municípios, que justificaram o quadro epidêmico como resultado da alta incidência de chuvas associada ao calor; a transição de governo, com a demissão de funcionários não concursados; mobilidade da população em municípios próximos que registram alta incidência da doença e falta de conscientização da população.
Em Alto Piquiri, município com 10,1 mil moradores, foram registrados 15 casos confirmados neste ano, mas os próprios funcionários da prefeitura admitem que não possuem um controle preciso da doença. A enfermeira do setor de Epidemiologia do município, Cláudia Félix, afirmou que outros cinco casos confirmados não foram registrados na secretaria de Saúde porque os exames foram feitos em clínicas particulares.
Segundo Cláudia, até o dia 16 foram registradas 90 notificações e é grande a possibilidade de que 95% delas se confirmem devido aos sintomas apresentados. "Com exceção de um caso importado, todos foram contraídos no município", revelou. Ela destacou que a epidemia fez com que todos os pacientes que apresentassem pelo menos dois sintomas da doença fossem atendidos por um enfermeiro e por um médico já treinados para identificar a doença.
Ainda de acordo com Cláudia, neste ano foram contratados 10 funcionários para realizar o trabalho de campo, que se uniram aos três agentes de Endemias que o município já possuía.
Campanhas
No município de Paranacity, o secretário de Saúde Mário Aparecido de Souza atribuiu a dificuldade do combate aos focos de mosquito Aedes aegypti à transição de governo municipal. "A administração passada demitiu todos os funcionários e ficamos sem ninguém para combater o problema", reclamou. Souza contratou 10 funcionários e também precisou reformar um veículo que estava sem condições de circular. "Em janeiro o nosso índice de infestação predial era de 25% e depois das contratações conseguimos abaixar para 1%, mas infelizmente choveu e os ovos dos mosquitos eclodiram e chegamos a essa situação de epidemia", expôs.
O secretário destacou que tem realizado campanhas de conscientização, inclusive em escolas. "Também temos orientado funcionários em empresas e solicitado para que eles se tornem fiscais em suas casas", destacou. Paranacity, com 10,2 mil habitantes, tem 87 casos notificados, dos quais 45 foram confirmados, todos autóctones. Ele ressaltou também que o município fica perto de cidades como Inajá, Paranavaí e Terra Rica, que são locais com um índice alto de infestação.
Sem números
A responsável pela Vigilância Epidemiológica de Perobal (5,6 mil habitantes), Josiane Casato Cazelotto, afirmou que foram registrados dois casos autóctones e os demais são importados, mas não revelou números. Disse apenas que não foi registrada nenhuma morte e que a epidemia não corresponde ao quadro atual do município. "Tenho sentido uma redução do número de notificações. Acompanhei pessoalmente a visita de todas as casas e o procedimento era realizar a vistoria, o arrastão para retirar entulhos das casas e em seguida aplicar o fumacê com bombas intercostais", destacou. Ela afirmou que conta com três agentes de Endemias que trabalham em conjunto com 13 agentes comunitários do programa Saúde da família (PSF), garantindo que a epidemia não aconteceu por falta de pessoal na fiscalização.
Transporte
A secretária de Saúde de Santo Antônio do Caiuá, Adriana Rossato Soares, ressaltou que o calor e a chuva contribuíram para o aumento de focos do Aedes aegypti, mas salientou que a situação está sob controle. O município tem 2,7 mil moradores e conta com dois agentes de Endemias e mais dois da Vigilância Sanitária no combate aos focos de mosquito. São 20 casos confirmados, sendo 16 autóctones e 4 importados.
Adriana explicou que muitos moradores vão para cidades vizinhas, como Paranavaí e São João do Caiuá, onde são registrados altos índices de infestação. "Só aqui na Secretaria de Saúde nós transportamos 40 pessoas por dia para realizar exames em Paranavaí ou Maringá. Não podemos deixar essas pessoas em quarentena. Elas transitam por outras cidades", apontou.


