Municípios estudam adotar armas não-letais
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Thiago Alonso<BR>Equipe da Folha 
Ao controlar situações de perigo sem o derramamento de sangue, as armas não-letais começam a ficar populares entre as guardas municipais do Paraná, transformando-se em medida de prevenção da violência e do tráfico de drogas. O município de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi o primeiro a adotar o equipamento. Campo Largo, também na RMC, anunciou no mês passado que vai armar a Guarda Municipal da cidade com as pistolas de efeito não-letal.
Em São José dos Pinhais, 11 armas como essa circulam nas ruas, carregadas por nove agentes treinados para manusear o equipamento. A pistola lembra uma arma de fogo, mas, em vez de munição, utiliza dardos que paralisam quem recebe o disparo. Ela age por ondas cerebrais, liberando uma corrente elétrica que fica em torno de 50 mil volts. A descarga da arma manda uma mensagem para o cérebro, que "congela" os movimentos do corpo.
Desde da adoção dos revólveres de choque em São José dos Pinhais, em abril de 2008, eles foram usados em apenas seis ocorrências. O uso fica registrado em cartão de memória que existe na pistola e que serve como forma de controle de utilização.
A avaliação do atual secretário municipal de Segurança Pública, Marcelo Jugend, sobre o uso do equipamento é positiva. "Todas as vezes em que foi usada, a arma apresentou 100% de sucesso. As pessoas que receberam a descarga estão bem de saúde e o fim desejado, que era o controle da situação, foi atingido", avalia Jugend.
O secretário diz ainda que a adoção da pistola representa uma evolução. Ele lembra, no entanto, que é necessário muito treinamento e técnica para seu manuseio. "Se for mal utilizada, pode configurar tortura", levanta um ponto importante. Por isso, Jugend diz que o uso necessita de homens preparados emocionalmente para portar esse tipo de equipamento. É aí que mora o perigo, já que o próprio secretário reconhece o despreparo dos policiais brasileiros. Ainda assim, ele defende o uso desse tipo de pistola. "A polícia usa armas de fogo. É melhor levar um choque que um tiro. Na verdade, temos que reverter esse despreparo", explica.
O secretário lembra que não são as armas as responsáveis por combater a criminalidade. "As armas ajudam a controlar determinadas situações. Seu combate se dá em termos de prevenção. O que controla os índices de criminalidade é cidadania, trabalho, esporte, ações sociais, educação, saúde, enfim, perspectiva de vida", diz Jugend.
Em Campo Largo, a expectativa para a adoção da pistola de choque é grande. De acordo com o secretário municipal de Administração, Silvio Brandão Diniz, a medida vai ajudar que os níveis de criminalidade não cresçam na cidade. "Desde de que a Guarda Municipal foi criada em Campo Largo, no ano passado, adotamos medidas modernas para reforçar seu trabalho. Foi assim com as câmeras no centro da cidade. Não queremos que a criminalidade de outras cidades da região metropolitana migre para Campo Largo", justifica Diniz.
Ele diz ainda que as armas não-letais são ideais para conter situações específicas, como a contenção de tumultos, em que não chega ser necessária a utilização da arma de fogo. "O uso da arma não dá tempo para que a situação fique perigosa", defende. A adoção das pistolas é uma das primeiras medidas da Secretaria Municipal de Segurança Pública, criada no início de março em Campo Largo.
O dispositivo não-letal já foi apresentado para agentes da Guarda Municipal da cidade. A prefeitura pretende desembolsar entre R$ 80 mil e R$ 160 mil para comprar entre 20 e 40 pistolas. "Por mais que pareça caro, não é. Essas armas não vão matar ninguém. Quanto custa uma vida?", indaga o secretário. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, o município aguarda a liberação das Forças Armadas para importar os revólveres da empresa americana criadora e detentora da marca Taser. A previsão é de que até junho os agentes estejam armados com as pistolas.


