Municípios estão com monitoramento deficitário
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terça-feira, 10 de abril de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Municípios que integram a Região Metropolitana de Londrina, e um do Vale do Ivaí, estão com o monitoramento feito por câmeras deficitário. São dez cidades que formam o Cismel (Consórcio Intermunicipal de Segurança Pública e Cidadania de Londrina e Região), que estão com cerca de 150, dos 180 equipamentos distribuídos pelo consórcio, sem funcionar.
As câmeras foram adquiridas e instaladas a partir de 2012 com verba do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), do governo federal. Com tecnologia americana, elas só podem ser consertadas por empresas habilitadas. No Brasil são apenas duas. Um orçamento foi feito para que haja a reposição dos componentes defeituosos ou da câmera, o que custaria cerca de R$ 144 mil. O edital de licitação, no modelo ampla concorrência, foi publicado no Diário Oficial do Paraná e o vencedor deverá ser conhecido ainda em abril.
Segundo Alfredo Quenehen, responsável pelo setor técnico do Cismel, a responsabilidade pela manutenção é das cidades. O consórcio, porém, lançou a licitação como forma de otimizar a troca. Depende de aprovação nas câmaras das cidades, a partir de projeto do executivo, a adesão ao serviço de reparo. "Vai de cada gestor. Ele pode trocar por conta própria ou com o Cismel. A partir do momento que as câmeras forem enviadas para arrumar, o prazo para devolução por parte da empresa é de 30 dias", explicou. A recolocação dos equipamentos ficará a cargo de cada consorciado.
GRANDE MOVIMENTAÇÃO
Cambé, que é da região de Londrina, recebeu 23 câmeras do consórcio e todas estão sem funcionar. Apesar do elevado número, muitos moradores não sabem da existência dos equipamentos na cidade. "Nunca vi estas câmeras por aqui. Sempre estou dirigindo ou andando pela cidade e, se foram instaladas, foi em um lugar bem escondido ou restrito da população", relatou o taxista Sebastião Martins.
Para o vendedor aposentado Paulo Nisciyama, seria importante que os equipamentos fossem colocados nas áreas de grande movimentação para reforçar a segurança. "Tudo que é para a segurança é bom. Seria necessário câmeras no Calçadão e na avenida Inglaterra, que é local com muitos bancos e de circulação de pessoas", apontou. "Pelo tamanho de Cambé, este número de câmeras, se voltarem a funcionar, ainda é pouco. Com elas estragadas quem perde é a população que paga o imposto", lamentou a dona de casa Suzana Silveira.
EXPANSÃO
Em meio à falta de funcionamento das câmeras, o Cismel está em conversa com representantes de outros municípios para fazerem parte da associação. Quenehen disse que outros 14 municípios das regiões Norte e Noroeste deverão integrar o grupo em breve. "Foi encaminhado o protocolo de intenção, que envolve toda a parte legal, como aprovação no legislativo. Entre as cidades estão Mauá da Serra e Porecatu", destacou ele, que também é guarda municipal em Arapongas.
A intenção é de, junto com isso, o sistema de monitoramento seja retomado e com a manutenção devida. "A partir disso vamos pensar em um projeto de segurança para as 24 cidades, com a captação de recursos para a compra de viaturas", projetou. Também está no plano a aquisição de novas câmeras que possam ajudar no controle e fiscalização do trânsito. "São câmeras que captam as placas dos veículos, com tecnologia em 360 graus, e zoom. Tudo para focalizar os carros", completou.
LISTA
Receberam câmeras do Cismel os municípios de Londrina (30), Apucarana (27), Cambé (23), Sertanópolis (22), Arapongas (20), Rolândia (15), Tamarana (13), Ibiporã (10), Bela Vista do Paraíso (10) e Jataizinho (10). A direção do consórcio não soube informar quantas não estão funcionando por cidade.
'Consórcio é mais atrativo'
Apesar da falta de manutenção das câmeras de segurança por parte dos municípios, os gestores acreditam que a aquisição e o conserto por meio do Cismel (Consórcio Intermunicipal de Segurança Pública e Cidadania de Londrina e Região) é mais vantajoso financeiramente. O custo do reparo, caso seja feito pelo consórcio direto com a empresa, é de cerca de R$ 1 mil por instrumento. A fabricante cedeu os componentes e será cobrado apenas pelo serviço.
De acordo com o vice-prefeito e secretário de Administração de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), Conrado Scheller, o executivo encaminhou para a Câmara em fevereiro um projeto solicitando crédito adicional de cerca de R$ 25 mil para participar da divisão da despesa com o restauro. O legislativo ainda não votou, apesar de ter sido pedido em regime de urgência. "Em janeiro de 2017 tinha apenas duas câmeras funcionando, que depois foram danificadas também. Temos a posse, porém não a propriedade destes equipamentos. Como o consórcio é mais atrativo, resolvemos arrumar junto com os outros municípios", destacou.
As câmeras estavam concentradas nas entradas e saídas da cidade e em pontos considerados estratégicos. Scheller adianta que as áreas que estavam sendo monitoradas deverão ser revistas. "Nossa programa prevê investimento em câmeras, já que não temos índice de criminalidade que justifique a criação da guarda municipal. A intenção é levar o monitoramento para escolas, fundos de vale e espaços com grande circulação de pessoas, como o Calçadão", afirmou. "Vamos buscar a Polícia Militar para que eles tenham um 'espelho' dessas imagens para que também acompanhem em tempo real", acrescentou.
O prefeito de Arapongas (RML), Sérgio Onofre (PSC), indicou que algumas cidades ainda não encaminharam o projeto lei prevendo o conserto para seus respectivos legislativos. Ele não soube informar os municípios. Arapongas recebeu 20 equipamentos pelo Cismel e todos estão sem funcionar. "A ideia é reparar estas e comprar mais 30 com recursos do município. Isso permitirá colocar monitoramento em toda a cidade, principalmente em prédios públicos, pois acaba filmando a estrutura e a rua. Isto deve estar totalmente em funcionamento até o fim do ano."
Também presidente do Cismel, Onofre garantiu que os municípios contratantes sabiam que era deles a responsabilidade pela manutenção das câmeras de segurança. "O projeto de segurança pelo consórcio diz que estas câmeras tenham a base na sede da polícia em Londrina", observou.
LONDRINA
Londrina foi a cidade que mais recebeu câmeras por meio do Cismel, totalizando 30. Destas, 25 estão com problemas e já foram enviadas para receberem o reparo necessário. Ainda não há um prazo para que elas retornem e sejam recolocadas.


