PONTA GROSSA - Com a expectativa de reunir mais de mil pessoas, começou a ser formado ontem, em Ponta Grossa, o acampamento do movimento nacional do ‘‘Grito da Terra’’. Entre os acampados estão integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, pequenos proprietários e trabalhadores rurais, que promovem e organizam em conjunto a manifestação cuja finalidade é discutir e reivindicar um novo modelo de política agrícola para o Brasil, que contemple principalmente o pequeno produtor.
Roberto Baggio, integrante do MST e um dos coordenadores do Grito da Terra no Paraná, disse que é preciso sensibilizar as autoridades para o problema do pequeno produtor, que está abandonando o campo por falta de apoio e recursos do governo.
De acordo com Baggio, a falta de uma política agrícola com prioridade à agricultura familiar, vem causando danos irreparáveis ao homem do campo.
Segundo Baggio, o movimento tem a intenção de mostrar essa realidade, cobrar e propor alternativas de solução junto aos órgãos e autoridades competentes. Durante a permanência nos acampamentos, que deve durar uma semana, os integrantes do movimento estarão discutindo e formulando propostas para os problemas do campo.
A agilização no processo da reforma agrária também será um dos principais assuntos em pauta durante a realização do movimento.
No Paraná estão sendo organizados sete acampamentos. O maior deles, que deve reunir 4 mil pessoas, está sendo montado em Marmeleiro (7 quilômetros a leste de Francisco Beltrão).
O Grito da Terra também está sendo desenvolvido em Curitiba, Cascavel, Londrina, Umuarama e Guarapuava. Em Curitiba, de acordo com Roberto Baggio, o acampamento deve ser estruturado a partir de hoje.
As propostas e reivindicações retiradas dos acampamentos devem ser unificadas e serão parte integrante de um documento que será encaminhado ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os problemas de ordem municipal e estadual, que podem ser solucionados com as autoridades locais, devem ser encaminhados aos órgãos competentes da esfera que estiver em questão. Em Ponta Grossa, o movimento conta com o apoio da prefeitura, que dotou o local de infra-estrutura básica. Nas regiões de Guarapuava e Marmeleiro, a coordenação do movimento esperava reunir outras mil pessoas ontem.

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