Municípios debatem plano de compensação
Paulo Pegoraro
Representantes dos pequenos municípios do Oeste e Sudoeste do Estado que sofrem impactos da Hidrelétrica de Salto Caxias estão participando de discussões com a Copel para a elaboração de programas oficiais e da iniciativa privada para compensar a redução de atividades econômicas decorrente da perda de população e consequentemente renda. A hidrelétrica está na fase final de construção no Rio Iguaçu. A estimativa é que mais de 3,5 mil pessoas deixem a região até o final do semestre devido aos alagamentos previstos para o final do ano.
Uma série de reuniões foi iniciada ontem e prosseguirá durante toda a semana para discutir o futuro de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu - entre os quais está a barragem - e Três Barras do Paraná, Boa Vista da Aparecida, Cruzeiro do Iguaçu e Boa Esperança do Iguaçu. Também serão impactados com menor intensidade Quedas do Iguaçu, Salto do Lontra e São Jorge do Oeste, com território às margens do futuro reservatório, que terá 141 quilômetros quadrados.
Os programas de compensação pretendidos pelas comunidades devem contemplar indicações do Projeto de Desenvolvimento Integrado dos Municípios do Entorno do Reservatório de Salto Caxias (Procaxias), desenvolvido pela Copel com participação do Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae/PR). O Procaxias está fazendo um diagnóstico da situação e identificando potencialidades dos municípios para consolidação de atividades econômicas urbanas e implantação de outras que gerem renda e empregos.
Segundo o gerente do Departamento de Implementação de Salto Caxias, engenheiro Valmor Eggert, não estão identificados com precisão os efeitos diretos da usina sobre negócios urbanos porque se há perda de população rural nos municípios há o acréscimo de operários e outras pessoas atraídas sob a perspectiva de negócios em torno das obras.
Mesmo assim, a companhia participa da busca de mecanismos que devem fazer dos alagamentos, a princípio, fator meramente negativo, estimuladores do desenvolvimento sócio-econômico. entende Valmor Eggert,
Um dos mecanismos propostos é a criação de fundos de desenvolvimento municipal para captar recursos para investimentos em atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços, com a possibilidade de projetos na área de ecoturismo ao longo do reservatório.
Os programas para compensação aos impactos dos alagamentos devem surgir das discussões entre lideranças das comunidades, que são os que melhor sabem o que lhes convém, diz Valmor Eggert, explicando que este é o objetivo do ciclo de encontros iniciado ontem.





