Municípios dão exemplo e reajustam salários
Em Sertanópolis, município de cerca de 16 mil habitantes no Norte do Estado, a saída para o antigo problema da falta de pediatra na cidade foi simples, mas eficaz: reajustar o valor do salário, a um patamar que fosse considerado justo por ambas as partes e tendo por base os valores preconizados pela Associação Brasileira de Pediatria (ABP).
Hoje a população conta com um profissional de Londrina que atende diariamente nos dois postos de saúde e no hospital do município. ''Pagamos R$ 12 mil por mês, para 40 horas semanais de trabalho. Não há limite de consultas e não se faz mais parto na cidade sem a presença do médico pediatra'', explica Ilto de Souza, superintendente do Serviço Municipal de Saúde.
Um dos resultados da medida pode ser medido pelo índice de mortalidade infantil no município, que passou de 27% a cada mil crianças nascidas vivas, no ano de 2008, para praticamente zero. ''Se quisermos ter um bom nível de atendimento nas consultas e um serviço de boa resolutividade, é preciso investir em um bom salário. Nossa intenção, inclusive, é que no futuro tenhamos um médico que resida no município.''
A mesma solução foi adotada pelo município de Rolândia (aproximadamente 50 mil habitantes). Tradicionalmente, a administração sempre se viu obrigada a contratar profissionais de Londrina, mas chegou um ponto que nem na cidade vizinha havia profissionais disponíveis e dispostos a atender as novas gerações de rolandenses.
''Não há muita oferta de pediatras, temos dificuldades na hora de contratar. Por isso, quando conseguimos um profissional procuramos nos adaptar às suas necessidades. Também tivemos que reajustar os valores pagos'', lembra a secretária municipal de Saúde, Tânia Aroceno. Até dois anos atrás o município pagava em torno de R$ 1,8 mil para 20 horas de trabalho por semana. Diante da dificuldade de conseguir pediatras, o salário passou para R$ 5 mil, pelo mesmo período de dedicação.
Atualmente a população conta com quatro pediatras, sendo dois do próprio município e dois de Londrina. Com isso, segundo Tânia, houve uma sensível diminuição no número de internações e melhora na qualidade do atendimento. ''O clínico geral não é preparado para todo o trabalho necessário na área de puericultura'', atesta a secretária. (S.L.)





