Municípios da bacia do Piquiri reivindicam royalties de Itaipu
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Sid Sauer Correspondente 
GOIOERÊ - Os municípios banhados pelo Rio Piquiri estão querendo ficar com parte da compensação financeira pelo alagamento de áreas para formação do lago de Itaipu. Para isso, eles propõem que royalties atualmente destinados apenas aos municípios que perderam áreas devido à formação do lago sejam redistribuídos. A idéia foi apresentada no final de semana durante o 5º Encontro Regional para Proteção da Bacia Hidrográfica do Rio Piquiri, realizado em Goioerê.
O assoreamento do Piquiri pode trazer sérios problemas à Hidrelétrica de Itaipu, ressaltou o prefeito de Goioerê, Vicente Okamoto (PSDB), autor da proposta de redistribuição dos royalties. A preservação ambiental da bacia hidrográfica, mais do que uma formalidade, é uma obrigação, completou. Okamoto partiu do princípio de que o Piquiri é um dos principais e mais próximos afluentes que dão sustentação à hidrelétrica instalada em Foz do Iguaçu.
Segundo a idéia do prefeito de Goioerê, os royalties que chegassem aos municípios banhados pelo Piquiri deveriam ser utilizados somente em projetos de preservação ambiental, como manejo de solo e água. Atualmente esse trabalho é feito pelos agricultores e pelas prefeituras, que estão descapitalizados, lembrou Okamoto. A proposta foi aprovada e incluída na Carta de Goioerê, um documento com uma série de propostas elaboradas durante o encontro.
Não queremos o dinheiro para obras, mas para investir no desenvolvimento de projetos ambientais, reforçou o prefeito. O encontro reuniu mais de 150 representantes de 30 dos 35 municípios banhados pelo Rio Piquiri. Promotores do Meio Ambiente das comarcas da região também participaram do evento. O coordenador do Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente do Estado, o procurador de Justiça SantClair Honorato dos Santos, também participou da reunião.
O trabalho no Rio Piquiri já está servindo de exemplos para outras regiões, destacou Honorato. Entre as outras reivindicações da Carta de Goioerê, destacam-se o pedido para preservação de uma mata de 3 mil alqueires que a Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná mantém em Tuneiras do Oeste e o incentivo para a aprovação de leis municipais que regulamentem a devolução das embalagens de agrotóxicos aos estabelecimentos que vendem o produto.


