Municípios da Amusep vão encolher
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segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Giancarlo Franquini<br> Especial para a Folha 
Pequenas cidades da região da Amusep (Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense) vão perder população nos próximos anos, de acordo com estimativas divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os pequenos tendem a diminuir ou crescer pouco, enquanto outros vão concentrar os moradores e grande parte da renda, principalmente aquelas cidades perto de Maringá.
Um fato curioso dos números do IBGE é que o município de São Jorge do Ivaí, com o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região, é o que mais deverá perder população. Já Sarandi, onde os índices de IDH são baixos, deverá receber perto de 3 mil novos moradores no próximo ano e registrar o maior crescimento da Amusep.
Para o coordenador de Desenvolvimento Regional da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Antonio Carlos Lugnani, esse movimento populacional em busca das cidades maiores se intensificou nos últimos anos, principalmente com os problemas na agricultura. ''São Jorge é um bom exemplo. A economia da cidade é essencialmente agrícola, baseada no plantio de soja. Com a crise no setor, as pessoas precisam procurar outro meio de vida'', explica.
Os municípios longe de eixos rodoviários também devem sentir dificuldade para crescer. Ele acredita que aquelas cidades próximas a Maringá e no eixo Maringá-Londrina terão as melhores oportunidades nos próximos anos.
Outro ponto apontado por Lugnani é o fato dos jovens saírem para estudar e não voltarem mais para suas cidades de origem. Esse problema é discutido em um projeto desenvolvido pela universidade em parceria com a Amusep. O objetivo é fazer com que os profissionais recém-formados voltem e contribuam com a economia local.
Aqueles formados nas áreas de saúde e agrícola têm tido mais chances para fazer o caminho de volta para as pequenas cidades. No entanto, a grande maioria prefere ficar nos grandes centros, onde as oportunidades também têm aumentado, como revela o professor. ''Dentro desse projeto estamos discutindo várias ações para que as cidades não percam a população e também para que outras não cresçam demais. Esse movimento é prejudicial para ambos os lados'', observa.
De acordo com ele, Maringá não tem sofrido com o aumento da população porque tem crescido de forma organizada. Os estudos realizados pelo professor mostraram que as famílias com maior renda se concentram na cidade. Já as de baixa renda saem dos pequenos municípios e se mudam para a Região Metropolitana, principalmente Sarandi e Paiçandu.
''Como o custo de vida em Maringá é mais alto, essas famílias acabam se mudando para as cidades próximas, que hoje já não têm estrutura para atender todos. Isso gera diversos problemas sociais e estruturais para essas cidades'', completa o professor.
Ele acredita que apenas o fortalecimento da economia dos pequenos municípios é capaz de manter as pessoas nesses locais. Por isso, estão sendo estudadas novas saídas para produção no campo e principalmente industrialização desses produtos.


