Municípios buscam alternativas para falta de vagas em cemitérios
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
O assunto não é o preferido da população e nem dos gestores públicos. Mas a necessidade de criação de vagas em cemitérios é um problema comum nos municípios da região. Londrina possui 13 cemitérios municipais, sendo cinco na área urbana e oito na zona rural. O mais novo deles, inaugurado em 1989, está lotado. Após a implantação do Cemitério São Paulo, no bairro Aeroporto, na zona leste de Londrina, apenas cemitérios particulares foram construídos na cidade. Em contrapartida, a população saltou de 390 mil habitantes (em 1991) para quase 550 mil, conforme estimativa do IBGE para 2015.
Em Londrina, o desafio é vencer a burocracia e finalizar as negociações com o proprietário de uma área particular na zona norte da cidade. Conforme a superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Sônia Gimenez, duas áreas já decretadas de utilidade pública estão sendo avaliadas. "Em breve nós deveremos ter essa definição. É que os procedimentos, tanto cartoriais quanto de gestão, precisam de um certo tempo para tramitar dentro da legalidade", explicou sem mencionar prazos.
Nos últimos dois anos, mais de 16 áreas públicas e particulares foram analisadas pelo município. A expectativa é de que o novo cemitério atenda a demanda de sepultamentos estimada para os próximos 15 anos. Serão criadas, aproximadamente, 22 mil vagas para a população. No entanto, os custos ainda não foram contabilizados. Viabilizar o montante a ser gasto será um novo desafio para a administração. "Nós não temos financiamentos públicos para cemitérios. Não temos fomento ou verbas para serviços funerários. O governo auxilia na construção de postos de saúde para o pré-natal, de creches e de escolas para as crianças, de órgãos de apoio social, de residências... Desde o nascimento existe um acompanhamento que é interrompido na hora da morte. Nunca se pensa nos cemitérios mesmo sabendo que, daqui a 80 anos, toda essa população que mora nos novos residenciais vai ter que ter ou um local para ser cremada ou sepultada", completou.
Reformas, ampliações e revogações de concessões de uso dos túmulos têm dado um fôlego para o poder público nos últimos anos. "Fizemos uma reunião com gestores dos municípios da Região Metropolitana de Londrina e a maioria enfrenta o gargalo de ter que encontrar áreas para novos sepultamentos", afirmou Sônia. Em média, 300 pessoas são sepultadas por mês em Londrina. Ainda assim, há vagas disponíveis de acordo com os gestores da Acesf.
Em Rolândia, todos os terrenos nos três cemitérios municipais devem ser ocupados até o final deste ano. No entanto, novas gavetas para sepultamento poderão ser construídas, caso isso aconteça antes da conclusão da primeira etapa do novo cemitério. "Pelo que a gente tem planejado, não vai existir esse problema. Não é uma situação desesperadora. A discussão desse novo espaço começou há pelo menos cinco anos, mas a burocracia atrapalha", explicou o diretor de Cemitérios da Secretaria de Serviços Públicos de Rolândia, João Alexandre Brunozzi.
Após a definição pela área de 3,5 alqueires na saída para Jaguapitã, os gestores de Rolândia saíram em busca de recursos e conseguiram a promessa de liberação de um empréstimo de R$ 1,5 milhão pelo Paranacidade, órgão ligado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu). A Câmara de Vereadores de Rolândia ainda precisa aprovar o financiamento. O secretário de Governo de Rolândia, Daureo Sérgio Gonçales, destacou que a prefeitura já executou a terraplanagem no local para adiantar a execução da obra. "A construção vai começar assim que o dinheiro for liberado e a primeira parte deve ser concluída de forma emergencial no primeiro semestre do ano que vem", afirmou. O custo total da obra é estimado em R$ 3 milhões.
CAMBÉ E IBIPORÃ
"No limite sempre estamos. Não estamos com sobra. Com os terrenos que temos duraria mais um ano", contou o assistente administrativo da Prefeitura de Cambé, Luis Carlos Girotto, ao se referir às poucas vagas disponíveis no cemitério municipal. O local é dividido em duas áreas: uma com sepulturas tradicionais que possui cerca de 30 terrenos disponíveis e outra no modelo de cemitério parque, que está quase na capacidade máxima. "Por aqui, a maioria já tem terreno. Quem não tem, utiliza a área provisória da prefeitura por até 4 anos", argumentou.
O cemitério de Cambé deve ser ampliado em breve com a criação de mil terrenos disponíveis para as futuras sepulturas. Ao todo, 20 imóveis serão desapropriados nas ruas Rio Branco e São Salvador. "Ainda será analisado se o município dará continuidade ao modelo de cemitério parque ou ao modelo tradicional", explicou. Segundo ele, o processo de desapropriação dos imóveis da Rua Rio Branco já está adiantado. Os valores não foram revelados.
Em Ibiporã, não há previsão para novas ampliações ou reformas, conforme o coordenador da Divisão de Cemitérios, Paulo Ribeiro. No entanto, outras medidas estão sendo adotadas. "Hoje nós usamos os sistemas de gavetas, emprestamos por três anos. O corpo fica lá nesse período e depois é colocado em um ossário particular. Avisamos as famílias e elas acompanham a exumação", contou. Em média, 30 sepultamentos são realizados por mês. "Temos cerca de 100 túmulos abandonados. Vamos fazer um recadastramento até junho do ano que vem. O prazo é longo porque o cemitério tem mais de 60 anos. Muitos desses túmulos são antigos. Muita gente já mudou daqui", concluiu Ribeiro. Até esta semana, mais de 18.700 pessoas haviam sido enterradas no cemitério de Ibiporã.


