Curitiba - Ao controlar situações de perigo sem o derramamento de sangue, as armas não letais começam a ficar populares entre as guardas municipais do Paraná. O município de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi o primeiro a adotar o equipamento. Campo Largo, também na RMC, anunciou no mês passado que vai armar a Guarda Municipal com esse tipo de pistola.
Em São José dos Pinhais, nove agentes circulam nas ruas com as armas. A pistola lembra uma arma de fogo, mas, em vez de munição, utiliza dardos que paralisam quem recebe o disparo. Ela age por ondas cerebrais, liberando uma corrente elétrica que fica em torno de 50 mil volts. A descarga da arma manda uma mensagem para o cérebro, que ''congela'' os movimentos do corpo.
Desde da adoção dos revólveres de choque em São José dos Pinhais, em abril de 2008, eles foram usados em apenas seis ocorrências. O uso fica registrado em cartão de memória e que serve como forma de controle de utilização.
A avaliação do atual secretário municipal de Segurança Pública, Marcelo Jugend, é positiva. ''A arma apresentou 100% de sucesso. As pessoas que receberam a descarga estão bem de saúde e o fim desejado, que era o controle da situação, foi atingido'', avalia.
O secretário diz ainda que a adoção da pistola representa uma evolução. Ele lembra, no entanto, que é necessário muito treinamento e técnica para seu manuseio. ''Se for mal utilizada, pode configurar tortura'', afirma. Por isso, Jugend diz que o uso necessita de homens preparados emocionalmente. ''A polícia está despreparada e usando armas de fogo. É melhor levar um choque que um tiro. Na verdade, temos que reverter esse despreparo'', explica.
O secretário lembra que não são as armas as responsáveis por combater a criminalidade. ''As armas ajudam a controlar determinadas situações. Seu combate se dá em termos de prevenção. O que controla os índices de criminalidade é cidadania, trabalho, esporte, ações sociais, educação, saúde, enfim, perspectiva de vida'', diz Jugend.
Em Campo Largo, a expectativa para a adoção da pistola de choque é grande. De acordo com o secretário municipal de Administração, Silvio Brandão Diniz, a medida vai contribuir para que os níveis de criminalidade não cresçam. ''Desde de que a Guarda Municipal foi criada em Campo Largo, no ano passado, adotamos medidas modernas para reforçar seu trabalho. Foi assim com as câmeras no Centro da cidade. Não queremos que a criminalidade de outras cidades da região metropolitana migre para Campo Largo'', justifica.
Ele diz ainda que as armas não letais são ideais para conter situações específicas, como tumultos. ''O uso da arma não dá tempo para que a situação fique perigosa'', defende. A adoção das pistolas é uma das primeiras medidas da Secretaria Municipal de Segurança Pública, criada no início de março em Campo Largo.
O dispositivo não letal já foi apresentado para agentes da Guarda Municipal da cidade. A prefeitura pretende desembolsar entre R$ 80 mil e R$ 160 mil para comprar entre 20 e 40 pistolas. ''Por mais que pareça caro, não é. Essas armas não vão matar ninguém. Quanto custa uma vida?'', indaga o secretário. A previsão é de que até junho os agentes estejam armados com as pistolas.

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