A Secretaria Municipal de Obras já dispõe da notificação para exigir a demolição total de um prédio abandonado na Avenida Duque de Caxias (centro de Londrina), mais conhecido como ''mocó''. O problema é encontrar os proprietários do imóvel. Nos últimos seis anos, consta no cadastro imobiliário da prefeitura que o prédio passou pelas mãos de dois proprietários diferentes. Caso os responsáveis não sejam localizados, o município pedirá na Justiça a demolição da edificação.
O ''mocó da Duque de Caxias'' tornou-se nos últimos dez anos um problema edêmico para os programas de apoio aos moradores de rua na cidade. A aparência decadente, suja e sombria do local esconde ainda a situação degradante em que se encontram aqueles que fizeram do espaço abrigo e esconderijo. Pelo menos nove pessoas se abrigam no local, entre adultos e adolescentes. A reportagem do Folha esteve no mocó na tarde de terça-feira onde presenciou um rapaz inalando tíner, um tipo de solvente tóxico. ''Eles passam o dia inteiro cheirando cola (de sapateiro) e tíner'', diz um rapaz que trabalha em um prédio próximo.
A solução para o problema, segundo a secretária municipal da Ação Social, Maria Luiza Rizotti, seria a demolição do antigo prédio. O ponto, adianta, é frequentado na sua maioria por pessoas de outras cidades, em busca de drogas e do tráfico que se estabeleceu no local.''Enquanto não é demolido temos feitos visitas e atendimentos diários, mas como se tratam de pessoas usuárias de drogas só será possível encaminhá-las para o tratamento se houver interesse delas'', explica Maria Luiza.
Os moradores e comerciantes vizinhos ao mocó da Duque de Caxias se referem ao problema como ''novela''. Só no ano passado 36 mocós foram fechados na cidade, segundo a secretária da Ação Social. Nas últimas duas semanas, outras três residências desocupadas que foram invadidas por moradores de rua tiveram seus proprietários localizados. Todas foram fechadas, lacradas, sendo que duas já foram alugadas.
A mesma sorte parece não ter os vizinhos do mocó da Duque de Caxias. O gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Obras, Alexandre Andrade Adário, diz que o prédio já foi alvo de demolição, mas parcialmente. Agora a secretaria está exigindo a demolição total. Há laudos apontando pela condenação da edificação. Ele explica que, se localizado, o propretário terá entre 24 a 48 horas no máximo para fazer a demolição. Caso não faça ou não seja encontrado, o município vai à Justiça.
A primeira notificação foi expedida em novembro de 1995, quando constava no cadastro imobiliário uma pessoa física como proprietária. Já na segunda notificação, em março de 1999, o prédio era de propriedade de uma empresa.

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