O secretário municipal de Meio Ambiente, Claudinei Barão Sanches, assegurou à Folha que a coleta seletiva de lixo será instituída assim que o novo aterro começar a funcionar e que, para envolver a comunidade, já foram feitos alguns programas-piloto na área. ‘‘Não vai haver falta de material para reciclar’’, promete.
‘‘Todo mundo quer trabalhar no barracão, o pessoal da prefeitura falou que a gente teria este direito, mas até agora não sabemos de nada’’, diz João Batista, 53 anos, um ex-pedreiro que por muito tempo conciliou as duas atividades. Hoje, chega a trabalhar 16 horas por dia no lixão e ameaça buscar na Justiça o direito de continuar ‘‘garimpando’’ no novo aterro.
‘‘Não quero nada demais. Só quero desempenhar minha profissão’’, diz, com 35 anos de experiência de lixão, um local dominado por nuvens de insetos, mau cheiro e onde os ‘‘garimpeiros’’ chegam a fazer três refeições por dia (a última, muitas vezes, é feita à meia-noite).
Para o secretário Sanches, os ‘‘garimpeiros’’ estão desarticulados, o que estaria dificultando a criação de uma cooperativa, mas ainda assim, são encarados como a mão-de-obra preferencial para a unidade de separação do aterro. Quem trabalhar na unidade deverá ganhar transporte e alimentação gratuitos.
‘‘Já visitamos o local, nos dispomos a levá-los a outros aterros da região para mostrar como funciona o barracão de reciclagem, mas eles não se mostraram interessado. O que podemos fazer? Criar a cooperativa? Isto é impossível. É uma iniciativa que cabe a eles’’, isenta-se.
Os operários explicam que o problema não é desinteresse, é necessidade. ‘‘Não vamos perder um dia para visitar outros lixões, isto a gente já aprendeu na prática’’, disse Maria Izabel Ribeiro, 48 anos, 12 de lixão, que trabalha junto com o marido, Gerson Lemes Ribeiro, 43 anos, e com a filha Adevanir Maria Ribeiro, 26 anos.
Sem oportunidade de trabalho, apesar de ter concluído o ensino médio (antigo 2º grau), Adevanir decidiu ajudar os pais no trabalho insalubre. Com R$ 180,00 cria os três filhos, que têm entre sete e quatro anos. ‘‘Meu ganha-pão está aqui. Nem penso mais em outro serviço.’’ (LFM)

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