Município tem três unidades
Lidar o descontrole emocional não é uma tarefa fácil e torna-se ainda mais perigosa quando a pessoa sofre surtos psicóticos. O psiquiatra Luiz Paulo Garcia, de Londrina, recomenda cautela. ''Durante os surtos, quem sofre de transtornos mentais costuma se sentir perseguido e pode ficar agressivo. Nesse período de crise há risco de suicídio, auto-mutilação e agressão a terceiros'', alerta.
Segundo ele, o quadro de neurose e psicose é agravado com o uso de álcool e drogas. ''Entretanto, mantendo a doença sob controle com o uso de medicação adequada e psicoterapia os pacientes podem levar uma vida normal'', afirma.
Em Londrina, casos de transtornos mentais graves, surtos psicóticos e uso abusivo de álcool e drogas têm levado uma média mensal de duas mil pessoas a procurarem o pronto-socorro do Centro de Apoio Psicossocial (Caps III). Atualmente o município conta com três unidades que oferecem atendimento infantil, emergencial e acompanhamento para dependentes químicos. O serviço gratuito é prestado por uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatras, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogas e educadores físicos.
A gerente municipal de Saúde Mental, Ângela Lima, ressalta que além dos casos emergenciais as unidades do Caps mantém o acompanhamento de centenas de pacientes. ''Mensalmente atendemos uma média de 400 pacientes no Caps III (adultos), 350 no Caps Infantil e 100 no Caps AD (Álcool e Drogas). Esses pacientes recebem tratamentos que podem ser diários ou semanais'', esclarece.
Tratamentos
Terapia psicológica, uso de medicamentos, atividades esportivas e ocupacionais compõem a lista de tratamentos ofertados pelas unidades do Caps. ''Tudo varia conforme o quadro apresentado pelo paciente. A equipe médica pode indicar desde a internação para casos graves até a participação em oficinas de artesanato, grupos sociais e outras iniciativas do Caps. Além dos tratamentos médicos desenvolvemos projetos como o Jornal Zureta, criado com o objetivo de despertar o senso crítico dos pacientes, e as oficinas de beleza, criadas para melhorar a autoestima dos usuários'', enfatiza Ângela.
Os internamentos em casos de surtos psicóticos são realizados no Caps III, que fica na Zona Norte da cidade. ''Temos seis leitos de acolhimento para atender situações graves'', informa Ângela. Ela diz que os encaminhamentos nesse tipo de situação podem ser feitos através do Samu.
Além de oferecer tratamento em casos de crise o Caps foi criado com o objetivo de buscar a reinserção social e a reabilitação dos usuários do serviço através do desenvolvimento de habilidade pessoais. ''O Caps foi implantado em Londrina em 1994. O serviço atende à proposta do Ministério da Saúde que em 2002 iniciou uma reforma psiquiátrica no país buscando mudar o perfil de isolamento social criado pelos antigos manicômios onde as pessoas ficavam internadas longe de toda a sociedade'', enfatiza Ângela.
Serviço - Caps Infantil - Rua Joá, 46, Vila Nova, fone (43) 3379-0739
Caps III - Rua Alba Bertoletti Clivati, 186, Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte), fone (43) 3347-8758
Caps Álcool e Drogas - Rua Otaviano Félix, 65, próximo à barragem do Lago Igapó, fone (43) 3379-0877





