Município quer devolução de verbas de CEI
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quinta-feira, 03 de maio de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O Centro de Educação Infantil Avelino Antônio Vieira, localizado no Conjunto de mesmo nome, na Zona Oeste de Londrina, está com as portas fechadas. A paralisação das atividades, que já completa três meses, é por causa da suspensão do repasse de verbas que a prefeitura faz à entidade. A medida foi tomada a pedido da Controladoria Geral do Município, que apontou irregularidades na prestação de contas da entidade. O CEI é uma entidade filantrópica que faz parceria com a prefeitura desde 2002.
O controlador geral, Sinival Osório Pitaguari, explicou que só em 2004 a prefeitura repassou R$ 72 mil para a entidade. Em 2005, outros R$ 81.850 foram repassados, porém, pelo menos R$ 118 mil estão com ''problemas sérios'' em relação a prestação de contas e deverão ser devolvidos pela entidade. ''Pela análise de 2004, o CEI não conseguiu prestar contas de R$ 36 mil. A prestação de contas de 2005 está totalmente irregular, então vamos pedir a devolução integral desse valor e mais o que faltou de 2004'', disse.
Segundo Sinival, diversas falhas foram apontadas nas documentações apresentadas pelo CEI. Notas rasuradas ou escritas a lápis, além de comprovantes de pagamentos de juros - o que não é correto, uma vez que o repasse da prefeitura é feito em dia à entidade - foram alguns documentos encontrados pela controladoria. ''Chegou-se ao cúmulo de nos apresentar notas fiscais em branco'', comentou. A Controladoria já havia dado um prazo para a diretoria do CEI se manifestar, mas não houve nenhum retorno da presidente da entidade, Sonia Duarte Barbosa. Ontem, ela não foi encontrada pela reportagem para comentar o assunto. Ele disse que o caso foi encaminhado à Procuradoria Geral do Município que estará apurando as irregularidades.
Ao todo, a prefeitura é parceira de 65 centros de educação infantil filantrópicos. A verba repassada pela prefeitura permite que as entidades comprem alimentos, materiais escolares, pagamento de funcionários, entre outras ações, que são divididas com uma entidade mantenedora. A unidade do Conjunto Avelino estava atendendo 30 crianças com até 6 anos de idade, além de outras 150 que também frequentavam o local durante o contraturno escolar.
A dona-de-casa Aurea da Silva Cruz, que mora em frente ao CEI, teve que providenciar um outro local para levar o neto. Ela disse que a presidente do CEI é moradora do bairro, mas que desde que a entidade fechou as portas ninguém consegue localizá-la. ''Agora estou levando meu neto lá no Jardim Maracanã. Fica muito longe para mim. Ando cerca de 15 minutos para levar e mais 15 para voltar. Ficou tudo mais difícil'', comentou.
A secretária municipal de Educação, Carmen Sposti, disse que a secretaria está articulando com novas entidades, que poderão colocar o CEI em funcionamento. Segundo ela, pelo menos três já estão sendo analisadas e a previsão é de que ainda este mês as crianças do bairro possam voltar a frequentar a unidade. ''Queremos avaliar caso a caso para que não aja mais problemas, mas resolveremos isso ainda este mês'', disse.


