Uma terra de contrastes. De um lado a cidade de Arapongas que se orgulha da qualidade de vida de seu habitantes, que vive sob a proteção da imponente e poderosa indústria moveleira, segundo maior pólo do setor em todo País, dando ao município a condição de grande centro gerador de empregos no Paraná. Essa tese é reforçada pelo fato de que pessoas que moram na região viajam diariamente para trabalhar em Arapongas. No final da tarde, os ônibus deixam a cidade lotados de trabalhadores retornando para suas casas em Apucarana, Londrina, Astorga, entre outras.
Do outro lado, a Arapongas que sofre graves problemas ambientais com a poluição de importantes nascentes de córregos, o acúmulo de fuligem no ar e o mau cheiro emitido por um frigorífico, localizado na região central da cidade.
A decisão sobre onde depositar o acúmulo de lixo das indústria moveleiras – cerca de 200 toneladas/dia – já causou muita polêmica, fazendo com que órgãos ambientais do Estado tomassem providências para resolver o problema. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou, em R$ 219 mil, 20 indústrias pela incineração de resíduos em uma área no Parque Industrial 2, provocando forte desconforto em famílias residentes da região. A fumaça negra invadia as casas e deixava as janela escuras e carros cobertos de fuligem.
Depois da aplicação da multa, o Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima) recorreu à prefeitura para resolver a questão. Novo problema. A prefeitura designou um terreno como depósito, localizado no Jardim São Rafael, onde o lixo industrial contaminava a nascente do Ribeirão Três Bocas, afluente do Rio Tibagi, que abastece vários municípios do norte do Estado. Resultado: multa de R$ 35 mil aplicada pelo Ibama à prefeitura araponguense.
O desconforto das famílias residentes perto de uma indústria de ração, no centro da cidade, ainda persiste. Muitos moradores, afetados com problemas respiratórios, já não suportam viver em meio a fuligem e pó, sem contar o barulho ensurdecedor das máquinas durante a noite. A empresa prometeu providências, mas até agora nenhuma medida foi tomada.
Uma cidade em processo de desenvolvimento – alguns dizem que chegará a mais de 150 mil habitantes em 10 anos – não pode esquecer de cuidar de suas nascentes, córregos, fundos de vale e muito menos prejudicar a vida de seus habitantes. Fica o alerta para o município, Ministério Público e órgãos ambientais.

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