Londrina – A Prefeitura de Londrina, por meio da Diretoria de Patrimônio Público, notificou os líderes da Aldeia Indígena Água Branca determinando a saída de índios, em 15 dias, da área de preservação permanente do Ribeirão Cambé, entre as avenidas Dez de Dezembro e Duque de Caxias, na zona sul de Londrina. A área é ocupada por caigangues há 15 anos.
Uma reunião na quarta-feira entre representantes da administração municipal, Ministério Público e da aldeia terminou sem acordo. No início de fevereiro, os índios já haviam sido notificados pelo MP. Em caso de descumprimento, os líderes podem ser multados.
Além de ser fundo de vale, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente alega que o espaço é perigoso em virtude da possibilidade de enchentes, devido ao assoreamento do Lago Igapó. A comunidade se nega a deixar o local. Oitenta índios dividem 32 barracos no local, que em 2000 recebeu o Centro Cultural Caingangue, destruído posteriormente por um incêndio.
"Os líderes da aldeia lá da Reserva do Apucaraninha não compareceram ao encontro por falta de transporte. Com os líderes da comunidade que ficam em Londrina não houve avanços. Talvez o caminho a ser buscado pela Prefeitura seja o da Justiça", relatou a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin.
A alternativa oferecida pelo município é um barracão no Jardim Cafezal (zona sul), que foi adaptado e se transformou em uma casa de passagem. Os indígenas alegam que o espaço temporário é muito distante da cidade, o que dificulta a venda de artesanatos e o acesso a postos de saúde e ao comércio. "Se um índio passar mal lá, ele morre porque a assistência não chega", frisou um dos líderes da Aldeia Água Branca, Adevanir Pereira.
Segundo a administração municipal, várias adequações foram feitas na casa, como instalação de rede de água, energia elétrica, linha de ônibus. O município garante ainda que quando este novo espaço foi escolhido houve a aprovação dos líderes da Reserva do Apucaraninha e que o grupo que permanece na área de preservação ambiental é dissidente.
"A comunidade não quer sair. Nós não invadimos este local, fomos colocados lá pela Prefeitura. É um espaço sagrado e abençoado pelos nossos ancestrais", ressaltou outro líder indígena, Renato Kiriki Ka Mrem.
Para o advogado da Aldeia Água Branca, Roberto Murita, a notificação não tem força de lei. "Qualquer questão indígena tem que ser apreciada na Justiça Federal. Nós queremos negociar, mas desde que seja oferecido um outro local, central e bom para os índios", apontou Murita.
Na administração municipal ainda não se fala em uma ação de reintegração de posse, mas a medida pode ser tomada caso a nova determinação não seja cumprida. "Estamos formalizando todas as ações junto a comunidade, já que o município também já foi notificado por esta permanência irregular. Mas continuamos com um diálogo respeitoso com os indígenas", frisou a secretária municipal da Assistência Social, Télcia Oliveira.

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