Pacientes e usuários ouvidos pela Folha na manhã de segunda-feira disseram não sentir mudanças no atendimento básico do posto de saúde de Uraí. Reclamam de falta de médicos, de troca constante de profissionais e da demora do atendimento no posto, que há quatro meses funciona provisoriamente em uma construção residencial, defronte à prefeitura. O lavrador Alberto de Souza, 37 anos, chegou ao posto às 6 horas. ''Ainda não vi médico e não fui atendido nem mesmo pelos auxiliares'', disse.
Outro lavrador, Antônio Luiz da Silva, 63 anos, chegou às 5h20 no local, onde tentava conseguir remédios para o filho. ''Antes conseguia dois ou mesmo os três remédios que ele precisa, agora não tem mais. Um aparece às vezes'', reclamou. ''Estou gastando um dinheirão''. A dona de casa Cissa Tavares, 47, também precisava de atendimento e estava irritada com a demora. ''Tem um médico de férias e outro que ainda não chegou'', resignou-se.
Lucivane Gouvea Delfino, enfermeira responsável técnica do posto, disse à Folha que o profissional tinha o direito às férias. Ela também diz que tanto em organização como em pessoal, o atendimento básico de Uraí evoluiu. ''Estamos com dois médicos, mas eles estão atendendo normalmente, e estão disponíveis para 45 consultas por dia cada. As pessoas chegam cedo porque acreditam que terão que esperar, mas o atendimento está à disposição das 7h às 18h, e pode-se vir ao ambulatório durante todo esse período'', justificou.
Lucivane, funcionária não concursada, hoje é a mais alta autoridade da Saúde de Uraí, e responde diretamente à prefeita Iracelis. Há quatro meses, a então secretária de Saúde Angela Tashima pediu demissão. Segundo a prefeita e seu marido, o médico e vereador Osnir Borghi, Angela não seguia exatamente a linha e as indicações da prefeita. ''Se preferir, o prefeito não precisa de nenhum secretário, e responde pela pasta que quiser'', argumentou Iracelis. ''Na prática, a Saúde agora ficou melhor. Está mais eficiente do que quando tinha secretário'', completou, lembrando também que os gastos mensais com a Saúde têm até ultrapassado os 13% do orçamento previstos por lei.
A fonoaudióloga Angela Tashima disse que pediu o afastamento da prefeitura por motivos pessoais e profissionais. ''Fiquei até mais tempo do que inicialmente havia planejado, precisava me dedicar mais ao meu consultório. Mas não tenho nada a me queixar com a prefeita, de quem sou amiga. Ela trabalha muito, e está sendo importante para a cidade'', afirmou.

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