Município não possui cadastro de informações
Apesar de passar pelo crivo da secretaria de obras, os projetos do subterrâneo não estão compilados num único sistema. A cada execução de uma obra, a empresa ou concessionária é quem deve fazer todo o levantamento da área a ser explorada, da mesma forma que escolhe quais os locais serão utilizados. De acordo com o titular da pasta, Agnaldo Rosa, todos os projetos de determinada área estão disponíveis em papel. ''Não temos isso digitalizado ou unificado. Há o registro, mas não um cadastro'', reconhece.
Tanto que, a pedido da reportagem, não foi possível levantar a extensão de galerias pluviais, bem como a quantidade de bocas de lobo e bueiros no município. Para isso, de acordo com Rosa, seria necessário pegar todos os projetos em papel para, então, fazer a contabilidade. Os demais dados, como redes de esgoto, instalação elétrica e cabos de telefonia foram obtidos diretamente com as empresas que realizam o serviço.
Isso, porém, para o secretário, não atrapalha o funcionamento do subterrâneo. ''Certamente que um mapeamento de toda a cidade e os dados compilados iriam auxiliar no trabalho. Temos, entretanto, outras prioridades no momento como recompor e reforçar a infraestrutura existente. Mas o município regula esse espaço'', diz.
Visão que não compartilha o arquiteto José Carlos Spagnuolo, ex-representante do Clube de Engenharia e Arquitetura (CEAL) no Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU). Para ele, a ausência de uma política de ocupação do subsolo e de legislação de uso e ocupação do solo voltada a áreas públicas pode prejudicar grandes projetos futuros, como a construção de estacionamentos subterrâneos e linhas de metrô, projetos já cogitados no passado. ''A cidade deveria estar pensando nessa regulação do espaço subterrâneo'', concorda Spagnuolo.
De acordo com o arquiteto, à época da construção da Avenida Leste-Oeste, na década de 1980, chegou-se a projetar a preservação de área no subsolo para construção de um estacionamento público e de uma grande faixa que seria destinada a trens subterrâneos, mas a ideia não foi levada adiante. A construção de obras como o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e o Terminal Urbano na região mostra que o projeto foi ignorado. (M.T. e S.L.)





