Ribeirão do Pinhal - Grupos de nove cidades do Norte do Paraná e do Estado de São Paulo participaram, no domingo, do 1º Encontro Interestadual de Bandeiras de Santo Reis em Ribeirão do Pinhal (130 km de Londrina). O evento foi oficializado pelo Poder Público e o prefeito Moacir Lataliza espera que tenha sido ''a semente'' de muitos outros encontros. A Folia de Reis é tradição no município, onde a bandeira ou companhia ''Foliões do Bairro da Jacutinga'' se mantém há 68 anos e a dos ''Sultões do Oriente'' foi criada há 23 anos.
Algumas bandeiras não puderam chegar para a abertura, às 9 horas, mas o ginásio de esportes ganhou as cores da maioria dos foliões, com as indumentárias impecáveis, os instrumentos ornados de fitas e os estandartes. O padre Paulo celebrou a missa sertaneja, em que se adaptaram versos de louvor às melodias dos clássicos ''Menino da Porteira'' (Teddy Vieira-Luizinho) e ''Tristeza do Jeca'' (Angelino de Oliveira). E, no encerramento, ''Luar do Sertão'' (Catulo da Paixão Cearense) com a letra original.
Quem teve a idéia do encontro foi o vereador Emerson Gonçalves de Oliveira, que tinha cinco anos ao se iniciar na bandeira dos ''Sultões'', da própria família. Ele sugere que o 2º encontro seja no pátio da Igreja Matriz, que é Santuário do Espírito Santo, ambiente apropriado à manifestação, que é alusiva ao Natal.
A Folia de Reis, que chegou ao Brasil no século 18 com os portugueses, exibe uma vitalidade surpreendente, pelo que se viu no encontro em Ribeirão do Pinhal, apesar da influência cultural estrangeira que vem descaracterizando e até mesmo substituindo festas populares. Integrante da companhia ''Água das Anhumas'', de Palmital (SP), Alex José de Almeida explica que a longevidade se deve à cultura familiar, ''passa de pai para filho, há companhias integradas até por avós e netos''.
Embaixador dos ''Foliões do Bairro da Jacutinga'', José de Souza conta que a companhia foi criada por Ambrósio Dutra da Silva. Procedente de Minas Gerais, ao tomar posse da então Fazenda Jacutinga, Ambrósio pediu a Nossa Senhora Aparecida e aos Santos Reis que o livrassem de possíveis desavenças com intrusos nas terras. Atendido, ele fundou a bandeira, da qual se tornou o primeiro embaixador, sucedido por Cristalino Antônio de Pádua. Por sua vez, José Costa ingressou na bandeira faz 40 anos, quando se casou com Maria de Lourdes Otávio, uma neta de Ambrósio. Há 18 anos José é o embaixador e no dia 6 de janeiro se realiza a maior Festa de Reis no bairro Jacutinga.
Nascidos em Ribeirão do Pinhal, Dalica e Alício Gonçalves de Oliveira são os patronos da bandeira ''Sultões do Oriente'', que sai pela cidade no dia 25 de dezembro. Além do Natal, é o aniversário de Dalica.
Convidado pela Secretaria Municipal de Cultura, o mestre-de-cerimônias Sebastião (''Tião'') Borges, de encontros de foliões em Assis (SP), coordenou a apresentação das bandeiras em Ribeirão do Pinhal. Outro convidado foi o comediante Antônio Pedro da Costa Filho, o Jeca Tatu, que produziu um filme com o personagem na década de 80, cuja estréia se deu no Cine Ouro Verde, em Londrina. Mineiro de 71 anos, ele contou que a Folia de Reis continua muito viva em Minas Gerais e num período em que costumava acompanhar o sanfoneiro Mangabinha, do ''Trio Parada Dura'', era um dos foliões mais entusiasmados.
Participaram em Ribeirão do Pinhal companhias de Nova Fátima, Londrina (2), Santo Antônio do Paraíso, Palmital, Florínea (2), Assis, Cândido Mota e Platina.

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