Maringá – A consequência do surto de toxoplasmose em Santa Isabel do Ivaí não se limitou à saúde da população. A cidade se obriga a conviver com problemas sociais e econômicos decorrentes em boa parte da doença. O comércio ligado principalmente à venda de alimentos acabou sofrendo com o preconceito das cidades vizinhas. Além disso, muitas pessoas acabaram indo embora do município em busca de condições melhores de vida. ‘‘A desinformação sobre a toxoplasmose prejudica os negócios porque as pessoas acham que simplesmente tudo na cidade é contaminado’’, disse um comerciante que pediu para não ser identificado.
Situações vividas pelos próprios moradores demonstram que de fato o preconceito surge pela falta de informação. A estilista Marilda Marçal Garcia Fontana, que adquiriu a doença no final do mês de maio, afirma que muitas pessoas chegaram a evitá-la supondo que a doença seria tranmissível pelo contato ou pela presença do doente no mesmo ambiente. ‘‘Muitos clientes que converso me perguntam se a toxoplasmose é contagiosa’’, diz Marilda.
A Folha encontrou muitos outros moradores com histórias de preconceito e também com relatos sobre pessoas que deixaram a cidade por conta do surto. ‘‘Não sei dizer em números quantos amigos vi indo embora da cidade, mas te garanto que são muitos’’, lamenta o tratorista Jucenil Trindade dos Santos. Conforme a instrutora Josenete Correia, que vai embora no próximo dia 27 por questões profissionais, a cidade passou a enfrentar problemas desde que Santa Mônica deixou de ser distrito para se transformar em município. ‘‘Boa parte da arrecadação de Santa Isabel do Ivaí vinha de Santa Mônica’’, lembra Josenete. Segundo ela, a partir do surto de toxoplasmose mais pessoas deixaram a cidade por medo ou por necessidade de buscar alternativas de trabalho.
No último censo, o município apresentou exatos 9.147 habitantes e uma taxa de crescimento anual negativa de 0,77%. No dia 2 de julho, Santa Isabel do Ivaí completa 50 anos. ‘‘O que nós desejamos é que o município volte a ter paz e a saúde’’, diz a professora Marlene Jacomel. A professora lamenta que o município sofra preconceitos por causa da doença. ‘‘Talvez se desde o início tivessem sido realizadas campanhas esclarecedoras sobre a toxoplasmose não teríamos sofrido tanto’’, afirma Marlene.
Para o presidente da Câmara Municipal, vereador Alcides Soares dos Santos (PPS) o surto acabou atraindo a mídia só para aspectos negativos da cidade. ‘‘Temos coisas boas aqui também’’, diz Alcides que ajuda o município a preparar a Festa da Laranja. ‘‘As pessoas precisam saber que o acidente (surto da doença) está sendo sanado e que agora a cidade merece respeito’’, afirma o vereador.

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