A professora aposentada Geni Daniel Belezi, de 65 anos, está animada com a possibilidade de começar a se exercitar e, com isso, diminuir os problemas de saúde. Ela é uma das integrantes de um grupo de 36 idosos que iniciaram ontem o Projeto de Implantação de Ações Integradas na Atenção à Saúde do Idoso, que será desenvolvido no recém-construído Centro de Convivência do Idoso, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste de Londrina), pelas secretarias municipais de Saúde e do Idoso.
A iniciativa conta com recursos do Ministério da Saúde (R$ 40 mil) e se diferencia por ser um dos primeiros projetos da rede pública a contar com acompanhamento científico dos resultados obtidos. ''A saúde coletiva é um assunto que começa a despertar grande preocupação dos governos, na medida em que as unidades de saúde não estão dando conta de atender tantos idosos. O objetivo aqui será trabalhar com a prevenção e promoção da saúde'', explicou a coordenadora de atividades físicas da Secretaria do Idoso, Maria Emília Bianor Alencar.
A cada quatro meses os participantes serão submetidos a avaliações físicas feitas na Universidade Norte do Paraná (Unopar) para acompanhamento dos avanços em termos de flexibilidade, índice de massa corporal, força muscular e equilíbrio. O texto do projeto apresentado ao Ministério da Saúde lembra que o sedentarismo e a imobilidade estão entre os principais fatores de risco das patologias mais comuns aos idosos, daí a importância de conscientizá-los da necessidade de praticar exercícios físicos adequados.
O projeto que está começando pela Zona Oeste da cidade contará com a participação de professores de educação física, fisioterapeuta, enfermeiros, médico e nutricionista. Por enquanto será contemplada apenas a população atendida nas Unidades Básicas de Saúde dos jardins Alvorada e Bandeirantes, mas a idéia é que no futuro outros bairros da região participem. As reuniões serão feitas três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras.
''Eu espero encontrar aqui orientações técnicas para ter melhor qualidade de vida'', disse Geni Belezi, ao final da primeira reunião. Ela contou que tinha uma vida agitada antes de se aposentar, trabalhando de manhã, à tarde e à noite. De repente, o ritmo mudou e os problemas começaram a aparecer. ''Quando a gente trabalha muito não tem tempo de adoecer. Mas quando tiramos o plug da tomada sentimos o cansaço acumulado. Para não dar lugar às doenças temos que nos exercitar, o ser humano foi feito para ser ativo'', ensinou a professora.
Já Encarnação Fernandes da Silva, de 69 anos, espera encontrar um remédio para a depressão que enfrenta há quatro anos. ''Não quero depender tanto de remédios'', afirmou, contando que já se matriculou antes em um grupo da 3 idade, mas tinha vergonha de participar dos encontros. ''Aqui acho que vai ser melhor'', disse.

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