O Inventário e Proteção do Acervo Cultural de Londrina (Ipac-Ld) teve participação importante no tombamento da Ponte Alves de Lima, em Ribeirão Claro. Nos últimos 10 anos, duas professoras e um grupo de estagiários do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL) visitaram dezenas de vezes a cidade para elaborar o livro ''Ribeirão Claro 1908-(...) Patrimônio e Memória Coletiva''.
''Temos consciência que a pesquisa que fizemos ajudou a comunidade a descobrir sua identidade cultural, o que acaba pesando nos esforços de preservação do patrimônio'', diz Ana Cleide Chiarotti Cesário, uma das autoras do livro.
''Na verdade, não tínhamos intenção de tombar a ponte com este trabalho. Estávamos buscando essencialmente resgatar a memória da comunidade. Mas é claro que estamos muito satisfeitas com o tombamento'', comentou a co-autora do estudo Ana Maria Chiarotti de Almeida, conselheira do Conselho Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Cepha) e relatora do processo de tombamento, aprovado anteontem por unanimidade pelo plenário do órgão.
O livro foi lançado há um ano, pela Imprensa Oficial do Estado, e teve distribuição de 500 exemplares. É o primeiro trabalho de fôlego sobre a história do município de 93 anos, berço da cafeicultura paranaense. Entretanto, o livro ''Norte Velho, Norte Pioneiro'', de Rui Wachowski, professor da Universidade Federal de Paraná (UFPR) e ex-conselheiro do Cepha, publicado na década de 80, dedica muitas páginas sobre a importância histórica do casario e da ponte.
''Não trabalhamos com informações oficiais. Preferimos a história contada pelas pessoas que dão uma significação própria sobre cada bem cultural'', afirma Ana Cleide. São 10 depoimentos de pessoas das mais variadas classes sociais. Para Ana Maria, o fato mais importante é o envolvimento afetivo das pessoas com o patrimônio da cidade. ''Lendo estes depoimentos a gente é capaz de perceber o quanto as pessoas vivem em harmonia com este cenário urbano histórico e o quanto elas se sentem bem por ainda terem isso''.
As irmãs Chiarotti também publicaram textos sobre o município no livro ''Memória e Cotidiano Cenas do Norte do Parana: Escritos que se recompõem'', outro projeto do Ipac publicado em 1995. ''Dá para se observar uma evolução da comunidade em termos de memória coletiva, mas é preciso que isto seja cultivado com o esforço da sociedade e do poder público'', avalia Ana Maria.

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