Na comparação direta com o ano passado, em que foi batido o recorde de violência em Londrina ao todo, foram 193 assassinatos em 12 meses , 2004 até sai no lucro já 100º homicídio de 2003 foi registrado no dia 27 de maio. Mesmo assim, a situação continua alarmante: quando são levados em conta os números de outros municípios do Paraná (veja quadro), pela proporção Londrina é a segunda cidade mais violenta do Estado, só perdendo para Foz do Iguaçu na Tríplice Fronteira e ganhando de Curitiba, que tem uma população três vezes e meia maior. Além disso, Londrina registra muito mais assassinatos do que Joinville, o município cuja dimensão populacional mais se assemelha à sua no Sul do País.
Dos homicídios registrados até ontem, na cidade, 18 tiveram como vítimas menores. No total, 12 mulheres foram assassinadas na cidade desde 1º de janeiro. Procurados pela Folha, representantes da sociedade civil foram unânimes em apontar o tráfico de drogas associado à desestruturação sócio-econômica da população das periferias como responsável pelo alto número de mortes violentas.
O padre Romão Antônio Martini Martins, vigário geral de Londrina, opinou que a cidade ostenta estatísticas de violência preocupantes porque possui muitas favelas. ''Elas surgiram após promessas demagógicas no passado de que seriam criados muitos empregos, de que mais e mais empresas viriam, de que muitas casas seriam construídas. Como resultado, foram se formando bolsões de pobreza'', disse ele.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham, comentou que a ex-Capital Mundial do Café possui fama de ser uma cidade de oportunidade. ''Muitas pessoas pobres enxergam (no município) a perspectiva de ganhar dinheiro rápido. Como resultado, a população nos bairros com problemas estruturais aumenta. Isso está intimamente relacionado ao aumento da violência. Além disso, há a proximidade com grandes centros como São Paulo e Curitiba, que faz com que Londrina seja mais visada pelo crime organizado do que muitas cidades dos Estados do Sul do Brasil''. O pastor Édson de Oliveira Filho, presidente do Conselho de Pastores de Londrina, defendeu a volta da guarda municipal. ''Isso desafogaria o trabalho das polícias Civil e Militar'', alegou. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, afirmou que existe muita politicagem sobre a questão de policiamento. ''Muitos grupos políticos tocam no assunto segurança apenas para agradar eleitor. Temos que acabar com essa demagogia. Precisamos ser mais técnicos e reivindicar estrutura para as polícias''.
Aparecido reconheceu que a violência na cidade sofreu queda em relação a 2003, mas ponderou que ainda falta muito para que a situação se aproxime do ideal. ''Foi uma melhora muito tímida'', apontou. (F.G.)

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