Município discute futuro do ensino
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
O momento é decisivo para o futuro da educação na rede municipal de Londrina. Poder público, profissionais de ensino e membros da comunidade estão definindo as prioridades, metas e estratégias que servirão de base para as políticas municipais de educação pelos próximos dez anos. A apresentação de propostas começou há um mês, dentro da série de pré-conferências que antecedem a 3 Conferência Municipal de Educação, marcada para 4 de junho. Ontem, aconteceu o último dos encontros preparatórios.
É desses debates que sairá o Plano Municipal Decenal de Educação de Londrina, contendo diretrizes para várias questões como currículo e avaliação, gestão e financiamento. O documento é tão importante que, pela primeira vez, será tranformado em lei, a exemplo do plano nacional. Ele também será instrumento fundamental para inserir propostas no Plano Plurianal do Município no próximo ano, garantindo a fatia de recursos necessários à Educação.
A diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Fátima Aparecida Pereira, adianta que não se deve esperar uma revolução no conteúdo ensinado em sala de aula, a partir do novo plano. Ela afirma que, mesmo não se podendo considerar o atual modelo de educação ''100% ideal'', somente uma grande mudança no modo de pensar da sociedade justificaria uma mudança igualmente grande na proposta pedagógica das escolas. ''Nesse sentido, não falaria em mudança, mas em transformação, o que já vem ocorrendo ao longo dos anos'', argumenta.
Entre os ítens mais significativos dessa transformação, consolidados nos últimos anos, Fátima destaca a introdução de disciplinas transversais (que permeiam todas as outras áreas) no currículo das escolas. Desde 2000, conteúdos como Sexualidade, Diversidade Cultural e Educação Ambiental passaram a nortear o aprendizado das disciplinas básicas - Português, Matemática, História e Geografia, Ciências, Educação Artística, Educação Física e Educação Religiosa. Dentro desta linha mestra de ensino, explica Fátima, as escolas têm autonomia para desenvolver projetos de acordo com a realidade de cada uma.
São questões extra-curriculares, contudo, que dominam as preocupações dos trabalhadores na educação e usuários da rede de ensino, assinalam a secretária municipal de Educação, Carmen Baccaro Sposti, e a conselheira de Educação, Miriam Batista. Nos últimos debates, elas puderam observar que a comunidade representada em associações de pais e mestres, conselhos regionais, associações de moradores, entre outros e os profissionais que lidam no dia-a-dia com os problemas das escolas se atêm a questões como número de vagas e limite de alunos em salas de aulas.
''Estamos atentos a todas as propostas, mas temos que nos lembrar que estamos amarrados à questão econômico-financeira'', observou a secretária. Segundo ela, a equipe responsável pela formatação do Plano Decenal de Educação deverá concluir o documento até o final do ano.


