Município aposta em novas indústrias
Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, a prefeitura vendeu mais de 37 mil metros quadrados de áreas industriais
Marcos Zanatta

Marcos Negrini
Ritmo aceleradoEm pouco mais de um ano, foram destinados 67 mil metros de terrenos a novas empresas. Parte das indústrias é da própria cidade, que recebe incentivos para ampliar a participação no mercado e gerar mais empregos Maringá chega aos 51 anos apostando na industrialização. Apenas nos quatro primeiros meses de 1998, a prefeitura já vendeu mais de 37 mil metros quadrados de áreas industriais. No total, são 67 mil metros de terrenos destinados a novas empresas em pouco mais de um ano. Parte das indústrias é da própria cidade, que recebe incentivos para ampliar a participação no mercado e gerar mais empregos. Um bom número, no entanto, vem de fora, apostando no potencial da região.
Em 1996, Maringá recebeu 2.058 novas empresas e no ano passado outras 2.589. Um crescimento de 25,5% em apenas um ano. Resultado considerado bom se levada em conta a crise de desemprego que atinge todo o País. Agora, a prefeitura prepara o lançamento de mais um parque industrial, com 25 alqueires e localização privilegiada, com fácil acesso à rodovia PR-317, que faz a ligação com a fronteira com Argentina e Paraguai.
O novo parque industrial deve abrigar 90 empresas, muitas delas já confirmadas para iniciar a operação ainda este ano, gerando pelo menos 1.200 empregos diretos. O interesse das empresas em se instalarem na cidade, ou as que já são de Maringá em apostarem na ampliação, tem dois motivos básicos. O principal é o Programa de Desenvolvimento de Maringá (Prodem), criado pela atual administração e que instituiu uma lei de incentivo à industrialização do município.
Através da Lei 4.424/97, é garantido aos empresários os terrenos a preços subsidiados, isenção do IPTU por 10 anos, isenção de taxa de alvará e infra-estrutura para início das obras. O Prodem, em menos de um ano, já beneficiou 20 empresas que estão em pleno funcionamento, garantindo a criação de pelo menos mais 500 empregos. Outro atrativo foi a criação da Zona de Processamento Aduaneiro (ZPA), que já garantiu a instalação de quatro empresas que atuam no mercado externo apenas este ano.
Idealizada pelo Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem), entidade que engloba todos os setores da economia local, a ZPA é uma área fiscal diferenciada, que oferece vantagens às empresas que atuam na importação de mercadorias.
A idéia foi aprovada pelo governo do Estado, que liberou a instalação das quatro primeiras empresas inscritas e estuda pelo menos quatro novos projetos. A Dakplast, da Argentina; a Indel, de Maringá; a Iguaçu Alimentos, de Foz do Iguaçu; e a Intermares, de São Paulo, foram as primeiras beneficiadas.
Todas terão um tratamento diferenciado, com prazo de 48 meses para recolher 80% do ICMS sobre a mercadoria negociada. Apenas 20% do tributo é recolhido no ato de comercialização do produto. As empresas serão beneficiadas também com os projetos do Prodem, recebendo terrenos e isenção de impostos municipais.
Juntas, as quatro empresas vão investir R$ 8 milhões e gerar 420 empregos, além de movimentar cerca de R$ 100 milhões ao ano a médio prazo, quanto todas estiverem operando com plena capacidade. A geração de ICMS será de R$ 11,3 milhões ao ano, garantindo um aumento de 3,7% no índice de participação de Maringá.
Mas a proposta de industrialização não para por aí. O secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Maringá, Miguel Fuentes Salas, adianta que várias empresas demonstraram interesse em conhecer as vantagens do Prodem e da ZPA. ‘‘Hoje, o importador instalado em grandes centros buscam opções mais simplificadas e de custos mais baixos para viabilizar a empresa’’, explica. Ele destaca também a localização privilegiada de Maringá. ‘‘O Mercosul deixou Maringá na rota de um dos melhores mercados do cone sul, e vamos nos aproveitar da situação’’, garante.
O município conseguiu também aprovar o projeto Fábrica de Fábricas, analisado pela Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, que deve viabilizar a liberação de recursos ainda este semestre. O barracão industrial será instalado em uma área de 700 metros quadrados no Conjunto Requião, um dos bairros mais pobres de Maringá, com mais de 1.400 famílias. A meta é viabilizar justamente as pequenas indústrias instaladas nos bairros, utilizando a mão-de-obra da comunidade.

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