Multiplicação de conhecimento sobre lábio leporino
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quinta-feira, 08 de setembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

A fissura labiopalatina, mais conhecida como lábio leporino, acomete um a cada 650 bebês brasileiros, totalizando mais de 150 mil casos diagnosticados todos os anos. Embora comum, ainda é grande o desconhecimento sobre o problema e para ajudar os pais a lidarem com ele é fundamental ampliar a rede de informações. A divulgação das causas e das formas de tratamento também auxilia a combater o preconceito, derrubar estigmas e facilitar o acesso ao tratamento. Muitos pais ainda evitam expor seus filhos na tentativa de protegê-los de possíveis reações negativas da sociedade.
Para colaborar nesse processo, o Centro de Apoio e Reabilitação de Portadores de Fissura Lábio Palatal de Londrina e Região (Cefil) realizou nesta semana, na Praça Nishinomiya (zona leste), um piquenique que reuniu profissionais, pacientes e familiares. O encontro fora do ambiente hospitalar teve o objetivo de tratar a questão de forma lúdica, segundo a fonoaudióloga Daniela Barbosa, e utilizar um espaço público favorece a multiplicação de conhecimento porque facilita a aproximação de pessoas que nunca tiveram contato algum com crianças acometidas pelo problema. "A recorrência é alta, mas ainda é pouco conhecido. A gente quer colocar o assunto mais em evidência."
A ideia do piquenique surgiu há dois anos, em São Paulo, com a rede As Fissuradas. A rede foi criada por Luiza Pannunzio, que durante a gestação descobriu que seria mãe de um menino com fissura labiopalatina, para orientar mães que, como ela, se viram perdidas ao receberem o diagnóstico. Daniela Barbosa, que é de São Paulo e atua no Cefil, decidiu replicar a iniciativa em Londrina. "É importante ressaltar que o problema não interfere no aprendizado nem no desenvolvimento da criança. Nos primeiros meses de vida, a dificuldade acontece na amamentação", explicou a fonoaudióloga. "Mais tarde, quando a criança começa a aprender a falar, pode haver comprometimento na fala e ela ficar fanhosa. Por isso é importante o acompanhamento."
O lábio leporino é originado por má formação do feto e não há uma causa específica embora já se saiba que há um fator genético associado. Há dois tipos de fissura, apenas labial ou aquela em que a criança apresenta uma abertura no céu da boca, a fenda palatina. O tratamento é cirúrgico e geralmente são necessários vários procedimentos para corrigir o problema. A primeira intervenção ocorre bem cedo, aos três meses de vida, na qual é corrigida a fissura labial. A segunda é feita por volta de 1 ano e meio, para correção do palato. Dependendo do grau do problema, as cirurgias podem seguir até a idade adulta, mas em todos os casos é possível obter bons resultados. O sucesso do tratamento também depende de um acompanhamento multidisciplinar, que inclui médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, pedagogos e dentistas.


