Multas inibem usuários de som alto
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segunda-feira, 09 de maio de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
As últimas ações fiscalizatórias promovidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em conjunto com a Polícia Florestal comprovaram que mexer no bolso do cidadão é a melhor medida a se tomar contra a prática de infrações. As blitze, realizadas para inibir o uso de som automotivo com volume alto, reduziram quase a zero a procura por equipamentos deste tipo nas lojas especializadas. O motivo alegado é o prejuízo ao qual autor da infração está sujeito: poluição sonora provocada por música no carro pode gerar multa de até R$ 5 mil, além da perda da aparelhagem. Bom senso ao se ouvir uma música é a recomendação das lojas e do IAP para evitar o rombo no orçamento.
A ''cultura'' de se parar um carro em esquinas ou postos de gasolina para obrigar a vizinhança a dançar junto com o dono do som é antiga no País e se popularizou com a mania do ''tuning'', quando aficcionados por automóveis buscam alternativas para se personalizar um carro. Segundo o proprietário de uma loja especializada em som automotivo de Londrina, Germano Teixeira Filho, a ânsia por um som potente já se desfez há cerca de cinco anos nas capitais. ''Hoje, somente o pessoal do interior continua com isso. A procura, por sinal, é muito grande'', afirma. ''E posso dizer com convicção que 90% das pessoas que buscam este tipo de som vão fazer barulho, querendo se mostrar'', diz.
O panorama, no entanto, mudou desde o início deste ano. Em duas ações do IAP e Polícia Florestal, pelo menos seis motoristas foram autuados e tiveram os equipamentos retirados dos carros. ''Eu não passei por nenhuma blitz até hoje, mas o som que eu tinha, preferi retirar. Valia uns R$ 800,00 e pensei que já estava correndo riscos de perdê-lo por roubo. Quando fiquei sabendo das multas, aí não tive escolha'', conta o técnico de TV Rafael Marchi.
No caso de autuação, os prejuízos infringidos aos motoristas podem facilmente ultrapassar os R$ 10 mil. De acordo com o dono de uma revenda de equipamentos de som, Sidney César Sitta, os valores médios pagos por interessados na compra destes equipamentos fica entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. ''Mas é fácil esse valor ser ultrapassado'', garante. Somadas à multa de R$ 5 mil, o prejuízo se aproxima do valor de um carro usado em bom estado.
Inflexíveis às questões culturais ou de bom senso, os donos dos aparelhos passaram e se preocupar com o que pode acontecer com as contas do final do mês. ''E o curioso é que geralmente é fácil identificar quem vai fazer barulho com o som que instala: são geralmente jovens e de classe baixa'', afirma o gerente de outra loja especializada no ramo, Thiago Fonçatti Bassan. ''Mas as multas realmente assustaram e o movimento caiu. Éramos procurados por cerca de 10 pessoas por mês, interessadas em instalar um som 'externo'. Agora não vem ninguém'', conta.


