Albari RosaRigorA partir de 1º de março, atraso de 2 minutos vai virar multa. Usuários do Estar já reclamam do rigorA Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) está reavaliando a aplicação da multa de R$ 48,00 (50 Ufirs), sem prazo para regularização, para as infrações do Estacionamento Regulamentado (Estar). Uma reunião marcada para hoje deve definir mudanças na aplicação da multa, inicialmente prevista para vigorar a partir do dia 1º de março.
Atualmente os motoristas que se atrasam no período de até duas horas previsto nos cartões do Estar recebem uma advertência e podem regularizar a situação no prazo de três dias úteis, por R$ 6,00. Só depois deste prazo a anotação passa a ser considerada autuação. Nos últimos dias, os motoristas infratores estão recebendo junto com o aviso da irregularidade no Estar um folheto que alerta para a implantação da multa a partir de março.
Para os motoristas que estacionam com frequência no Centro da cidade, a multa pode se transformar num transtorno caro. O analista de sistemas Leandro Franco Vilar, 24 anos, mora na rua Voluntários da Pátria e usa o Estar diariamente. Ele já perdeu as contas de quantas vezes recebeu o aviso e regularizou o estacionamento dentro do prazo previsto. ‘‘Não acho que este deslize seja algo tão errado para ter uma punição tão rigorosa’’, reclama. Ontem ele recebeu mais uma advertência porque se esqueceu de trocar o cartão e teve um atraso de 15 minutos.
Albari RosaLeandro Vilar: ‘‘Não acho que o deslize mereça punição tão rigorosa’’
A comerciante Jocemara Rodrigues da Costa, 29, reclama da dificuldade em estacionar naquele mesmo trecho. ‘‘Moro aqui e quando preciso descarregar as compras do supermercado não consigo vaga, no entanto quando consigo estacionar é só me atrasar alguns minutos e já recebo a advertência’’, diz. Ela considera ainda que o Estar deve ser mais flexível.
Para quem trabalha no centro é ainda mais complicado, afirma João Nivaldo Soares, 35. Diariamente ele estaciona em uma das seis mil vagas do Estar para fazer atendimento de assistência técnica em lanchonetes e restaurantes do centro da cidade. ‘‘Geralmente cada conserto leva cerca de uma hora, mas coloco talões de duas horas para não arriscar’’, explica Soares. Ele diz que já tem prejuízo atualmente porque acaba usando praticamente o dobro de talões de Estar do que na realidade necessitaria. A partir do dia 1º ele acredita que terá problemas em administrar o Estar durante os atendimentos.
A Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc) registrou mais de cinco mil reclamações sobre as multas do Estar. Uma Ação Civil Pública vai continuar tramitando considerando ilegal a cobrança da multa até a entrada em vigor do novo código. Mais de 400 motoristas entregaram toda a documentação para reinvindicar na Justiça o reembolso do dinheiro de multas do Estar. Segundo o coordenador da Adoc, Fernando Kosteski, a partir do dia 1º, por um atraso de dois minutos, o motorista corre o risco de pagar R$ 48,00, o que seria ‘‘exagerado e desproporcional’’, reforça. Segundo ele, a ordem de aplicar a multa sem chances de regularização é uma decisão do prefeito e não uma imposição do Código de Trânsito.
A Diretran deve processar o número de multas do Estar, a partir do novo código, na semana que vem. Mas informações divulgadas no final de janeiro davam conta de que o número de infrações do Estar havia caído 40%. De 2,4 mil avisos por dia, a prefeitura passou a emitir 1,4 mil avisos, sendo que 700 infrações eram regularizadas diariamente. Os 700 avisos restantes eram transformados em multas. Caso esta média seja confirmada e a multa direta entrar em vigor, a prefeitura pode passar a arrecadar cerca de R$ 670 mil por mês em multas do Estar.

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