Multas crescem e acidentes diminuem
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terça-feira, 31 de março de 1998
Lucilia Okamura 
Desrespeitar o sinal vermelho, dirigir moto sem capacete e estacionar em local proibido são as principais infrações cometidas em Londrina desde que os agentes municipais de trânsito - os azulões - começaram a trabalhar, no dia 9 de fevereiro. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), a média de multas aplicadas na Cidade tem sido de 8 mil mensais, sendo que 3 mil são de responsabilidade dos azulões - o restante é aplicado pela Polícia Militar.
A atuação dos azulões faz parte do projeto de municipalização do trânsito, formalizado em fevereiro, através de um convênio entre Prefeitura e Governo Estadual. De acordo com o projeto, a aplicação de multas é realizada pela PM e pelos agentes de trânsito.
Até o ano passado, a fiscalização no trânsito era feita por cerca de 40 policiais militares. Hoje estão trabalhando mais 32 PMs e 45 azulões, afirma o presidente do Ippul, Mário Stamm Júnior. Ele informa que o sistema de integração para o setor ainda está sendo implantado e algumas dificuldades estão sendo superadas. Mesmo assim, dá para fazer uma projeção do trânsito nos meses de fevereiro e março, observa.
De acordo com esta projeção, no ano passado eram aplicadas 5.400 multas por mês. Hoje, a média projetada é de 8 mil multas por mês, afirma Stamm. Ele esclarece que a quantidade de autuações aumentou, mas é preciso levar em consideração também o aumento do número de fiscais.
Das multas aplicadas pelos azulões, o Ippul verificou que 24,6% se refere a avanço do sinal vermelho. Em seguida, a infração mais comum cometida pelos motoristas (20,4%) é estacionar o veículo em desacordo com a sinalização (não respeitar local ou horário permitido e parar em lugar proibido). Mário Stamm Júnior informa que 11% dos motoristas foram autuados por dirigir usando telefone celular.
Com relação ao trabalho da PM, 23,7% das infrações se referem a dirigir sem carteira de habilitação, embriagado, com veículo sem placa, com licenciamento vencido ou entregar de veículo a pessoas não habilitadas. Mesmo com a entrada em vigor do novo Código Nacional de Trânsito, desde o final de janeiro, que prevê multas mais pesadas, os motociclistas continuam desrespeitando as regras. Tanto que, de acordo com dados do Ippul, 17,8% das multas aplicadas pela PM foram para motoqueiros sem capacete.
O convênio entre Estado e Município estabelece ainda critério de distribuição dos recursos gerados com as multas. Mário Stamm Júnior observa que, apesar de os azulões começarem a trabalhar em fevereiro, a Prefeitura ainda não arrecadou recursos. Segundo ele, o Município tem um prazo até o dia 28 de maio para encaminhar as multas para o Estado. O ingresso de recursos deve ocorrer dentro de 30 a 60 dias.
O novo Código de Trânsito e, consequentemente, a fiscalização mais intensa têm contribuído para a redução no número de acidentes. Mário Stamm Júnior observa que, enquanto em fevereiro do ano passado foram registrados 409 acidentes, no mesmo período deste ano aconteceram 289. Houve uma queda de 40%.


