Multa pode ajudar a desvendar crime
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
A Polícia Civil de Arapongas e Maringá está tentando localizar uma moto uma Honda Titan CG 125, azul, placa AHF 4549, ano 97, de Arapongas para chegar aos autores de um latrocínio cometido contra um mototaxista em abril. O assassino de Antonio Marcos Stramonski, 22 anos, de Arapongas, encontrado morto com seis tiros depois de ficar desaparecido durante seis dias, ainda não foi preso e a polícia, por enquanto, não conseguiu avançar nas investigações.
A irritação dos familiares da vítima com a demora na solução do crime e com o que chamam de descaso por parte da polícia se transformou em revolta com o recebimento de uma multa de trânsito em julho. Na época, a moto desaparecida estaria transportando, nas ruas centrais de Maringá, um casal. A carona não usava capacetes. O condutor Marcelo Pedroso de Almeida, 29 anos, é funcionário do Despachante Santa Edvirges.
A pedido do delegado-adjunto de Arapongas, Edmo Ermenegildo, a Polícia Civil de Maringá localizou o condutor da moto, que prestou depoimento e depois foi liberado. Almeida, que tem passagens na polícia por falsidade ideológica, falsificação de documentos e papéis públicos, ameaça e estelionato em Sarandi e Marialva, disse que estava assessorando a regularização da documentação do veículo para um cliente. Ele não soube dizer no depoimento o nome do cliente, que é conhecido por Piloto (a Folha apurou que ele também teria passagens pela polícia).
O funcionário do despachante afirmou que não conhecia Piloto e não podia ajudar a localizá-lo. Almeida contou aos investigadores que não podia saber se a moto era roubada por não ter acesso ao cadastro dos veículos com esta situação.
Piloto está sendo procurado em Maringá. A Polícia Civil de Arapongas já tem sua identificação, mas prefere não divulgá-la à imprensa. O delegado Ermenegildo se limitou a descrevê-lo fisicamente. Um homem branco entre 30 e 35 anos, baixo e gordo, de cabelos lisos, atualmente tingidos de louro.
Apesar de todas as evidências, o delegado Ermenegildo descarta a possibilidade de ter conseguido chegar a um esquema de roubo e receptação de motos. Foi um caso isolado. O Marcelo não tem nada a ver com receptação, ele não seria tão burro, disse, enfático.
O agricultor Stanislau Stramonski, 28 anos, irmão do mototaxista, não concorda com o delegado. O funcionário do despachante tem que ser melhor investigado. A Polícia Militar deveria ter apreendido a moto e puxado a ficha dele, observa.
Stanislau está fazendo uma investigação paralela e assegura que seu irmão foi visto pelo última vez deixando dois passageiros (até hoje não identificados) em frente a um prostíbulo nos arredores de Arapongas. Um deles seria Nelson de Oliveira Sobrinho, o Bispo, que chegou a ser preso por dois meses em Arapongas pelo crime, mas negou a autoria. Bispo tem antecedentes por furto e roubo, além de ser acusado de outros homicídios.
O principal suspeito fugiu logo após ser transferido para a delegacia de Mandaguari. Ele tem sido visto circulando em Arapongas, segundo Stanislau. Minha família quer que alguém seja punido pela morte de meu irmão, mas parece que ninguém está interessado nisso, desabafa.
Antonio Marcos passou a ser mototaxista por dificuldades financeiras da família, que é arrendatária de um sítio no município de Arapongas, onde plantam soja. Antes de tentar o emprego na cidade, ele trabalhou na lavoura. Seu corpo foi encontrado ao ser esmagado por um arado em uma propriedade vizinha ao sítio onde trabalhou desde a adolescência.





