Multa a serrarias pode chegar a R$ 1 milhão
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sábado, 07 de abril de 2001
Elisa Marilia Carneiro 
Os proprietários das fazendas em Mangueirinha, acusados de manter duas serrarias clandestinas no local e de desmatar uma área de 170 hectares de floresta primária e mata ciliar, poderão ser multados em até R$ 1 milhão. A regional Sudoeste do Instituto Ambiental do Paraná que fez a notificação dos fazendeiros está calculando o valor da penalidade, que dependerá de várias questões, entre elas o fato de serem ou não reincidentes.
Receberam notificações, Rogério Benin, Henri Biscolli, Sérgio Roberti e Deoclesiana Rampom. A Folha tentou falar por telefone com Roberti, mas quandoa repórter se identificou a pessoa disse chamar-se João. Da mesma forma, conseguiu falar com Deoclesiana, mas ela só respondeu não sei a todas as perguntas e acabou desligando o telefone abruptamente. Disse até mesmo não saber de quem era a madeireira.
Segundo o chefe da regional do IAP, José Wilson Carvalho, a área devastada pertence à Fazenda Santa Rosa, antiga Fazenda Slavieiro, e há possibilidade que outros proprietários sejam identificados e também recebam notificações. Um deles seria morador em São Paulo. Os dados precisos só estarão disponíveis amanhã.
Quinze fiscais e quatro policiais militares fizeram, sexta-feira passada, uma incursão por toda a área. O levantamento identificou derrubada de araucárias, imbuia e canela, num total de aproximadamente 800 metros cúbicos de madeira nobre. A fiscalização foi acompanhada por uma equipe de jornalista da TV Sudoeste e noticiada ontem pela Folha.
Os fiscais encontraram e apreenderam um trator de esteira com lâmina que seria usado no desmate. As duas serrarias que funcionavam dentro das fazendas não podiam ser avistadas da estrada, justificou o fiscal do IAP. Recebemos uma denúncia de pessoas da comunidade. Da estrada só se avista a mata fechada e as serrarias estavam instaladas no interior. As porteiras com cadeado dificultavam a entrada na área, informou ontem Carvalho.
O deputado estadual Valdir Luiz Rossoni (PTB), que teria sido citado por funcionários das serrarias como um dos proprietários das fazendas, negou o fato. Se quiserem me dar a fazenda eu aceito e prometo não derrubar nenhum pé de capim, ironizou.
Dos proprietários citados, Rossoni afirmou ser amigo de Sérgio Roberti e conhecer pessoas da família Rampom, mas disse desconhecer que façam desmatamento ilegal. Ele (Sérgio Roberti) é meu amigo. Sei que tem uma indústria madeireira mas não que desmate clandestinamente, disse.
Eu mesmo tenho uma madeireira de pinus e defendo na Assembléia Legislativa a criação de uma legislação que torne possível o reflorestamento com pinus, eucaliptos e erva-mate, em áreas de capoeira, que já foram desmatadas. Exploro 600 hectares de reflorestamento em Bituruna e Sengés, por isso as ONGs (Organizações Não Governamentais) invocam sempre comigo, justifica.


