Entre os crimes de janeiro, até agora não foi registrado nenhum caso de latrocínio (roubo seguido de morte da vítima) em Londrina. Duas pessoas acabaram baleadas quando vítimas de assalto, mas foram hospitalizadas. Porém, um detalhe chama a atenção: duas mulheres estão entre os 17 assassinados na cidade. O caso mais dramático e triste deste início de 2003 foi o da morte de Maria Rosária Rocha, de 39 anos. Ela recebeu 13 tiros no barraco onde morava, no Jardim Maracanã (zona oeste). Foi executada na frente do marido e de dois de seus três filhos.
O delegado Jorge Barbosa relata que, por volta das 22h30, três homens armados invadiram a casa dela, com a intenção única de executá-la. Havia sido um dia cansativo para a família. Maria tinha ido ao centro da cidade com o marido, Ezaqueu Moreira da Cunha, 45, para procurar trabalho. O casal estava desempregado. Ela ajudava ainda na distribuição de alguns produtos junto à comunidade local. Segundo o delegado, Maria veio de São Paulo há cinco anos, e logo ao chegar começou a viver com o desempregado. Era seu terceiro marido. Todos os filhos, de 2, 4 e 8 anos, teriam pais diferentes. O mais novo e o mais velho estavam em casa, enquanto a mãe tomava banho, no momento em que os assassinos entraram.
O delegado informa que, segundo depoimento de Cunha, os executores queriam saber onde ''estava aquela desgraçada''. ''Falaram para o marido que não queriam acertar nada com ele. Ele próprio também nos disse que nada sabia sobre o que teria levado o trio a matar a esposa'', conta Barbosa. Outra vítima foi Vera Lúcia de Andrade, 35. Morreu por volta das duas horas da quinta-feira, após levar 4 tiros, disparados na Rua Netuno, no Jardim Leonor (zona oeste). Ela tinha em seu poder um cachimbo de crack e preservativos. Segundo a polícia, a vítima seria prostituta e usuária de drogas (veja texto nesta página).

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