A morte de duas mulheres (a dona de casa Luciana Duarte Coelho, 22 anos, a empregada doméstica Eliane Soraia Santos Kobayashi, 24 anos), na semana passada, uma em Londrina e outra em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), é exemplo clássico de violência contra a mulher. Ambas foram assassinadas pelos companheiros dentro de casa. Segundo estudos existentes no Brasil, a maioria dos casos de violência contra a mulher é praticada no ambiente familiar e por algum parente ou conhecido.
O Centro de Atendimento à Mulher (CAM), órgão ligado à prefeitura de Londrina, atende cerca de 35 novos casos por mês, sendo que 53% das vítimas sofrem violência emocional (ofensas e ameaças com palavras, entre outros) e 41%, violência física (agressões, tentativa de morte, etc.). A secretária Especial da Mulher, Dora Barnabé, revela que casos de agressões físicas devem ser maiores, já que estes dados não refletem a realidade - apenas um terço dos casos é denunciado. ‘‘De cada quatro mulheres no Brasil, uma é espancada’’, observa, citando dados divulgados recentemente pela revista Mulher Latino-Americana.
Ainda de acordo com a revista, enquanto 72% dos casos de violência contra homens acontecem fora de casa (nas ruas, bares, local de trabalho, etc.), apenas 35% das mulheres sofrem agressões fora do ambiente familiar. ‘‘Geralmente, a violência é praticada pelo companheiro ou por outra pessoa da família, às vezes pelo filho’’, relata.
A violência atinge mulheres de todas as raças e classes socias, mas a denúncia parte principalmente das vítimas mais pobres, que não têm recursos para procurar ajuda profissional - psicólogo ou advogado. ‘‘As mulheres de classes média e alta não denunciam para preservar o status e a imagem ou com receio de escândalo’’, afirma.
Segundo a secretária, casos de violência física são menos denunciados porque tratam-se de situação mais complicada. ‘‘A mulher fica com o corpo marcado, se sente envergonhada de dizer que está apanhando’’, explica. Ela ressalta que quando a mulher busca ajuda, já foi agredida várias vezes. Isso porque quando apanha pela primeira vez, a vítima tende a achar que foi um fato isolado e que não acontecerá mais.
‘‘A mulher acha que o companheiro bateu porque bebeu demais, perdeu o emprego ou porque o filho ficou doente’’, exemplifica. ‘‘Ela sempre espera, achando que a situação irá melhorar’’, acrescenta. Dora observa que muitos casos estão ligados ao uso de substâncias que causam dependência. Das ocorrências atendidas no mês passado pelo CAM, 30% relacionam o agressor ao uso de álcool e outras 10% a outras drogas.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP), Acácio de Azevedo, confirma que, das ocorrências registradas na polícia, um grande número ocorre dentro de casa. ‘‘Agressão por parte de alguém desconhecido é raro’’, afirma.Dorico da SilvaA secretária Dora Barnabé: ‘‘De cada quatro mulheres uma é espancada’’Lucilia Okamura

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