Mulheres são presas por sequestro de bebê
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domingo, 14 de janeiro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Duas mulheres foram presas anteontem em Curitiba por terem sequestrado um bebê de oito meses. As cariocas Rutinéia Carvalho dos Santos, de 38 anos e a sobrinha Alessandra da Silva Francisco, de 21, vão responder inquérito por subtração de criança no Tático Integrado de Grupamento de Repressão Especial (Tigre). As duas teriam planejado o sequestro depois de andarem por horas em busca de uma vítima no bairro Uberaba, periferia de Curitiba.
As duas só foram presas porque a mãe da criança, percebendo que tinha sido enganada (Alessandra pediu para cuidar da criança no posto de saúde enquanto a vítima cuidava da mãe que havia sofrido um acidente), pediu carona para um rapaz que estava na região e conseguiu perseguir o táxi onde estavam as sequestradoras. ''As primeiras informações sobre o caso eram muito desencontradas. Achamos que se tratava de uma quadrilha de sequestradores'', relatou o delegado adjunto do Tigre, Edward Figueira Ferraz.
Rutinéia planejou o sequestro após ter perdido a guarda de uma criança que registrou como filha. Toda a história teria começado há mais de um ano, quando Rutinéia contou ao marido que estava grávida. Entretanto, ela teria perdido a criança. Passou os últimos meses da suposta gravidez em Curitiba, longe do marido, dizendo que precisava cuidar do pai - com câncer em fase terminal. No período que ficou em Curitiba, ela começou a ajudar financeiramente uma mulher que estava grávida. A mulher deu entrada no hospital com os documentos de Rutinéia, que registrou a criança e voltou para o Rio de Janeiro.
Dez dias depois, a mãe verdadeira se arrependeu da ''venda'' do filho e registrou a ocorrência no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), que chegou até Rutinéia e exigiu que ela devolvesse a criança, o que ela fez em seguida. Ligou dias depois para o marido, dizendo que a Justiça tinha tomado a criança.
''Ele começou a ficar desesperado com o passar do tempo. Queria ver o filho. Mandava dinheiro para ela resolver os problemas com o advogado. Como ela não voltava, ele resolveu vir a Curitiba. Foi aí que ela precisou sequestrar rapidamente um bebê'', relatou o delegado. Além deste inquérito, Rutinéia deverá responder outro no Sicride por falsidade ideológica (se dizer mãe de criança alheia). Se condenada, ela pode pegar de dois a seis anos de prisão. O marido de Rutinéia foi localizado e ouvido. Como não sabia de nada, foi liberado.


