Mulheres são maioria nas salas de aula
A maior parte do público que frequenta as salas do programa Paraná Albetizado na região de Londrina é formada por trabalhadoras rurais. Essa característica indica que o machismo é também uma das causas do alto índice de analfabetismo nas pequenas cidades atendidas pelo Núcleo Regional de Educação (NRE). Mulheres de 40 a 65 anos são a maioria dos alunos. São pessoas cujas famílias só permitiram que os filhos homens estudassem na infância e juventude, esclareceu a coordenadora Eunice Satie Fuzita.
Funcionária da Prefeitura de Tamarana, Percilhana da Silveira, 64, lembra que, na época de sua infância, era comum os pais justificarem que filha mulher não precisava saber ler, porque só ia cuidar da casa e dos filhos. Vítima desse preconceito, ela aprendeu as primeiras letras com a avó, mas, por falta de contato com a escola, acabou esquecendo o pouco que foi aprendido. Aluna do Paraná Alfabetizado desde outubro do ano passado, ela está reaprendendo a ler e escrever, além de tomar contato com as operações matemáticas.
A mesma situação é vivida pela trabalhadora rural Terezinha Ermínia Nascimento, 56, moradora do assentamento Tesouro. Depois de concluir a alfabetização, ela está frequentando o EJA e garante que o acesso à educação faz muito bem para a saúde. Tenho mais ânimo e disposição, minha memória melhorou muito. Gosto de abandonar a correria do dia a dia para estudar, conta ela, que viaja diariamente com os estudantes do ensino médio no ônibus do transporte escolar e aprecia a companhia dos colegas mais jovens.
Também de Tamarana, Ana Lopes de Jesus Silveira, 63, nunca havia frequentado a escola antes de participar do Paraná Alfabetizado. Por conta da incapacidade de ler, ela não ia sozinha a lugares distantes de casa. A única vez que viajei sozinha para Londrina foi quando meu filho ficou internado. Eu tinha muita vontade de ter liberdade, mas tinha ainda mais medo de não conseguir voltar para casa, recorda.
As aulas do Paraná Alfabetizado não vão devolver os anos perdidos, mas trazem benefícios à saúde da trabalhadora rural que esquece os problemas da vida quando chega na escola. Não tenho preguiça de aprender. Quando chego em casa à noite, depois da aula, meu sono é muito mais leve. (C.A.)





