Mulheres são maioria entre os centenários
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segunda-feira, 02 de setembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Chegar aos 100 anos ainda é um privilégio para poucos, mas com a evolução da Medicina e os cuidados com a saúde, a tendência é que mais brasileiros atinjam essa idade. Segundo o geriatra Fábio Garani, a média nacional é de um centenário para cada 10 mil pessoas. "Baseado nisso, Londrina deve ter em torno de 50 pessoas com 100 anos ou mais. Mas esse número vem aumentando no consultório; quando comecei minha carreira, há 10 anos, era bem raro", afirma.
Dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a expectativa de vida do brasileiro em 2060 será de 80,5 anos, contra 71 anos em 2001. Ainda segundo o IBGE, em 2010, 24.236 brasileiros tinham 100 ou mais, sendo 7.247 homens e 16.989 mulheres. No Paraná eram 933 centenários, novamente com predominância das mulheres, que eram 620, contra 313 homens. Londrina registrou 41 centenários, em que 12 eram homens e 29, mulheres.
Garani explica que a prevalência de mulheres sobre homens se justifica por diversos fatores. "Os centenários de hoje nasceram por volta de 1910. Neste período tivemos guerras. O trabalho era mais braçal e eram os homens que trabalham mais na agricultura, onde havia problemas com agrotóxicos. São eles também as maiores vítimas da violência. E havia preconceito por parte dos homens em procurar o serviço médico, eles só iam em caso de emergência. Isso começou a mudar de uns 30 anos para cá."
Ainda segundo o geriatra, a ciência está buscando entender o que está por trás do fenômeno dos centenários. "Boa alimentação, a prática de atividades esportivas, evitar álcool e tabagismo, além do controle do peso sem dúvida são fatores importantes, mas a ciência está investigando também o componente genético. A Bahia, por exemplo, é o estado com maior número de pessoas com 100 anos ou mais, mesmo tendo uma expectativa de vida menor do que alguns países próximos", conta.
O especialista ressalta que caso não haja restrições médicas o centenário pode exercer qualquer atividade normalmente, como cuidar da casa, do jardim, cozinhar e andar de ônibus. "O que se pode fazer, por exemplo, é propiciar algum tipo de apoio, para ajudar no caminhar, caso haja necessidade. Mas não se deve limitar as atividades pois isso pode se tornar prejudicial", alerta.
Muito idosos
O médico afirma também que um número que vem aumentando expressivamente é o de "muito idosos", ou seja, pessoas que têm 85 anos ou mais. Dados do IBGE confirmam. Em 2000 eram 796.071 pessoas nesta faixa etária e em 2010 o número chegou a 1.268.613.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada pelo IBGE em novembro de 2012 mostra que a quantidade de brasileiros com 60 anos ou mais cresceu 55% entre 2001 e 2011, passando de 15,5 milhões para 23,5 milhões de pessoas em dez anos.
Ainda segundo a PNAD, os idosos passaram a representar cerca de 12% da população total do Brasil. Em 2001, o grupo das pessoas com 60 anos de idade ou mais era de 9% da população.
Embora aumente cada vez mais a expectativa de vida, Garani destaca que o desafio da geriatria é fazer com que as pessoas atinjam uma grande idade com saúde e autonomia.


