Mulheres são maioria em cursos de graduação e pós
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 2009
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
São Paulo - Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE), as mulheres são hoje a maioria nos cursos de graduação e pós-graduação do País, representando 56% do número de matriculados.
Comparando-se aos homens, também é maior o porcentual de mulheres que concluem o curso superior (62%), conforme levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
Estar atualizada e desenvolver-se intelectualmente é uma das prioridades de mulheres das classes média e alta, aponta a pesquisa Movimentos Femininos, realizada pelo Ibope Inteligência. A inserção no mercado de trabalho impulsionou o desenvolvimento das competências femininas, e elas passaram a ir cada vez mais atrás de qualificação, observa Nelsom Marangoni, diretor executivo do Ibope.
A busca pela independência financeira e psicológica tem impulsionado esse quadro. Entenda por isso maior autonomia para tomar decisões pessoais e profissionais, característica que é marcante especialmente nas mulheres da classe AA, com renda familiar acima de R$ 9,7 mil grupo cujo foco está predominantemente voltado para a carreira.
Nessa fatia, 83% dizem que fazem tudo para ter independência financeira e 75% perseguem o crescimento profissional, buscando atualizar-se frequentemente. Esses dados fazem parte de um estudo divulgado no começo deste ano, no qual foram entrevistadas 1.750 brasileiras das principais capitais e pertencentes às classes sociais AA, AB e C, com idades entre 18 e 49 anos.
Desde 2001, o universo acadêmico concentra mais matrículas femininas do que masculinas, conforme levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). De 2000 a 2007, a participação de mulheres nas universidades aumentou 76,92%.
Picos de estresse
Formada em Magistério e Geografia, Jane Cristiane Silva Prado, 40 anos, pouco atuou na profissão. Há 19 anos trabalhando numa empresa de consórcios em Londrina, ela decidiu investir em cursos de pós-graduação para ganhar conhecimento técnico: há quatro anos fez a primeira especialização, em Gestão Empresarial, e atualmente cursa Marketing na Universidade Estadual de Londrina (UEL), às sextas e sábados. Ano passado abriu uma vaga no departamento de marketing e me candidatei para o cargo, justifica.
Sempre gostei de estudar e acho que uma especialização contribui para a profissão, revela. Escolhi reunir conhecimento acadêmico à experiência diária do trabalho, completa.
Separada e mãe de um garoto de 14 anos, para Jane é cada vez mais difícil conciliar trabalho, estudos e família, mas não impos-sível. Levo conforme tenho condições: dou atenção ao meu filho como dá e procuro não me cobrar e não fazer além do meu limite. Importante é saber até onde você pode ir, ensina.
Jane reconhece que ocasionalmente ocorrem picos de estres-se, mas como horas extras na empresa são raras, ela consegue cuidar da casa e do filho, estudar e ainda relaxar. Ele é um adolescente bem tranquilo, compreensivo e companheiro.
Apesar da rotina bem elaborada, ela admite que executá-la não é tão fácil quanto parece. Tem momentos em que preciso parar e refletir sobre qual área da vida precisa de mais atenção, mas procuro não deixar passar nada em branco, como reservar um tempo para cuidar de mim, comenta Jane, que analisa a possibilidade de emendar a pós com um mestrado: Mas também ninguém precisa abraçar o mundo. (com Agência Estado).


